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“Comecem! A Força constrói-se no caminho!

Maria João Costa cresceu entre aromas, memórias e o som constante de uma casa cheia. Hoje, como sócia — ao lado da irmã — do Restaurante Casa Velha, assume com naturalidade o papel de quem não sabe estar parada. O empreendedorismo é a sua essência. Gosta de criar, de transformar e, sobretudo, de ver ideias ganharem forma.
Mais do que gerir um restaurante, Maria João Costa constrói experiências. Move-a a vontade de inovar, de reinventar tradições e de dar nova vida ao que já existe, sempre com respeito pelas raízes que sustentam o projeto familiar. Para si, empreender não é apenas abrir portas — é imaginar caminhos, arriscar, aprender e evoluir constantemente.

Quem é a Maria João Costa para além da restauração?
A Maria João é inquieta por natureza! A restauração é a minha base, mas o empreendedorismo é a minha essência. Sempre tive dificuldade em acomodar-me. Gosto de criar, de transformar e de ver ideias ganharem forma.
Percebi cedo que tinha uma veia empreendedora, ainda em Lisboa, quando sentia que precisava de fazer diferente, de deixar a minha marca em tudo aquilo a que me propunha fazer. Sempre quis construir algo, e essa força moldou todas as minhas escolhas profissionais. Mesmo quando tive medo, escolhi avançar. Porque para mim, ficar parada nunca foi uma opção.

Quando decidiu largar tudo em Lisboa para abraçar o legado dos seus pais, o que foi mais desafiador?
O mais desafiador não foi adaptar-me ao ritmo da Lousã. Foi provar a mim mesma que conseguiria honrar o legado dos meus pais sem perder a minha identidade. Regressar significou muita responsabilidade. Não era apenas um negócio. Era história, memória e sacrifício. O verdadeiro desafio, foi, a par com a minha irmã, equilibrar tradição e visão própria, respeitar as raízes e, ao mesmo tempo, ter coragem para modernizar e evoluir.

Qual foi a decisão mais arriscada da sua carreira?
A decisão mais arriscada foi abrir o meu próprio restaurante, um projeto totalmente meu, inspirado nas minhas viagens e em todas as experiências gastronómicas que fui absorvendo ao longo dos anos.
Criei um conceito inovador, com uma identidade muito própria e um ambiente diferenciado. Fiz a obra praticamente sozinha, desenhei e idealizei cada detalhe, construí a marca do zero. Ao mesmo tempo, era mãe e continuava na Casa Velha. Foi um período de enorme exigência física e emocional.
Acredito que fiz tudo certo: o conceito, a estratégia, a entrega. Mas percebi que, por vezes, não basta fazer bem e é preciso estar no lugar certo. O espaço tinha muito potencial, mas o contexto não era de todo o ideal. Não foi fácil. Houve desgaste e muitas dúvidas. Mas não me arrependo de ter arriscado. Porque aquele projeto provou-me do que sou capaz e mostrou-me que tenho visão, coragem e capacidade de execução. E isso ninguém me tira.

Que conselhos daria a mulheres que querem entrar na restauração?
Que não tentem ser iguais a ninguém. A restauração exige firmeza, mas firmeza não é dureza. Podemos liderar com sensibilidade, empatia e intuição. E isso não nos torna menos fortes. É um setor muito exigente, sim. Mas a autenticidade é a maior vantagem competitiva de uma mulher empreendedora. Não se diminuam para caber em ambientes que ainda estão a aprender a respeitar a liderança feminina!

Que valores norteiam as suas decisões?
Trabalho, respeito e coerência. Nunca tomo decisões importantes apenas pelo lucro imediato. Penso na equipa e na experiência do cliente- Acredito que a consistência cria confiança, e a confiança constrói marcas que duram para sempre.

Como gere a pressão de liderar?
A pressão existe todos os dias. Aprendi que liderança não é sobre controlar tudo. É também sobre confiar e delegar. O meu “ritual” é simples: disciplina, paz e clareza mental. Organizo prioridades e lembro-me constantemente do propósito que me fez largar tudo. E desde 2022, também a minha filha, força motriz e inspiração para tudo na minha vida. Aprendi que cuidar de mim não é egoísmo, é estratégia. 

Como equilibra a tradição e inovação no Casa Velha?
Cada prato tem memória. A Chanfana ou as Pataniscas de Bacalhau não são apenas receitas, mas sim identidade. O segredo está no respeito. A base mantém-se fiel à tradição. E a inovação surge na apresentação, na experiência e no detalhe. Modernizar não significa descaracterizar, mas sim valorizar ainda mais aquilo que já é extraordinário.

Que legado quer deixar?
Quero deixar a prova de que é possível ser mulher, mãe, e empreendedora sem pedir desculpa por ambicionar mais. Quero que outras mulheres percebam que não precisam de escolher entre sensibilidade e liderança, entre tradição e inovação, entre família e carreira. Podemos ter tudo isso, com coragem, trabalho e autenticidade. No Dia Internacional da Mulher, a mensagem que deixo é simples: não esperem validação para começar. Comecem! A força constrói-se no caminho! 



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