Pesquisar

Utilizamos cookies para garantir que tenha a melhor experiência no nosso site. Ao continuar a utilizar o nosso site, você aceita o uso de cookies e a nossa Política de Privacidade.

Criar Valor, Reduzir Risco: A Revolução da Consultoria de Ativos

Num mercado onde a celeridade das decisões pode determinar o sucesso de um investimento, conhecer o verdadeiro valor de um ativo deixou de ser apenas uma necessidade técnica para se tornar uma vantagem competitiva. A consultoria e a avaliação de ativos vivem hoje uma profunda transformação, impulsionada pela inovação, pela tecnologia e por uma visão estratégica que permite às organizações reduzir riscos, antecipar oportunidades e criar valor de forma sustentada.
É neste contexto que a Business Voice conversou com Sandra Daza, CEO do Grupo Gesvalt, uma das principais referências internacionais na área da consultoria, avaliação e engenharia. Nesta entrevista, exploramos a forma como as soluções inovadoras estão a redefinir o setor, tornando as avaliações mais rigorosas, inteligentes e orientadas para a tomada de decisão. Uma conversa que demonstra que, num mundo em constante mudança, o verdadeiro valor de um ativo não está apenas no que representa hoje, mas na capacidade de gerar confiança, sustentabilidade e crescimento para o futuro.

Num contexto económico marcado pela volatilidade dos mercados, pela inflação e por uma crescente exigência regulamentar, de que forma evoluiu o papel da consultoria e da avaliação de ativos? Hoje, uma avaliação representa apenas a determinação de um valor ou tornou-se uma verdadeira ferramenta estratégica para apoiar decisões de investimento, financiamento e gestão de riscos?
A avaliação já não é um exercício puramente técnico orientado apenas para a definição de um valor pontual, mas uma ferramenta estratégica para a tomada de decisões. Num ambiente de volatilidade, inflação e maior pressão regulamentar, os nossos clientes precisam de muito mais do que um número: procuram uma base sólida para investir, financiar-se, otimizar carteiras e gerir riscos. Por isso, a avaliação tornou-se num instrumento que ajuda a antecipar cenários, detetar oportunidades e reduzir incertezas, complementando-se cada vez mais com serviços de consultoria de sustentabilidade e assessoria técnica que permitem oferecer uma visão integral do ativo e facilitar uma tomada de decisões mais informada.

A tecnologia está a transformar praticamente todos os setores de atividade. Como estão a inteligência artificial, o Big Data, a análise preditiva e a digitalização a revolucionar os processos de avaliação e consultoria? Que benefícios específicos trazem em termos de rapidez, rigor, transparência e capacidade para antecipar tendências?
A tecnologia está a transformar o setor porque permite trabalhar com muito mais informação e com maior profundidade analítica. Hoje podemos incorporar variáveis geoespaciais, padrões de mobilidade, dados sociodemográficos, consumo, sustentabilidade ou riscos climáticos para entender melhor o comportamento de um ativo e o seu ambiente. Na Gesvalt, contamos ainda com um desenvolvimento próprio de avaliação automática baseado em inteligência artificial que integra múltiplas fontes de dados, o que nos permite analisar grandes carteiras imobiliárias com rigor e oferecer uma visão estratégica adaptada às necessidades dos nossos clientes.
A digitalização também melhora a rastreabilidade dos processos e a consistência metodológica, e a tecnologia proporciona maior rapidez, mais rigor, mais transparência e uma melhor capacidade para antecipar tendências, mas o seu verdadeiro valor está na forma como se combina com o critério profissional.

Cada vez mais, o conceito de “ativo” vai muito além do património imobiliário. Hoje falamos também de marcas, propriedade intelectual, carteiras de investimento, ativos industriais ou até ativos intangíveis. Quais são atualmente os maiores desafios na avaliação destes ativos e que metodologias inovadoras têm vindo a ser desenvolvidas para responder a esta nova realidade?
Hoje, além dos ativos físicos, é necessário valorizar marcas, propriedade intelectual ou intangíveis, cujo principal desafio radica em quantificar elementos como a inovação, o posicionamento, o conhecimento ou o potencial de geração de rendimentos futuros. Neste âmbito, na Gesvalt dispomos, há mais de 20 anos, de uma equipa especializada em Corporate Advisory, integrada por especialistas em avaliação de empresas e avaliações industriais que operam tanto em Espanha como em Portugal, o que nos permite abordar este tipo de ativos numa perspetiva técnica, financeira e integral.
Para responder a esta realidade, já não é suficiente aplicar abordagens tradicionais de forma isolada; é necessário combinar análise financeira, conhecimento setorial, avaliação operacional e cenários de evolução. A incorporação de modelos preditivos, a análise de riscos e ferramentas baseadas em dados permitem obter avaliações mais precisas e alinhadas com a capacidade real de cada ativo para gerar valor a longo prazo.

A sustentabilidade deixou de ser apenas um fator reputacional para passar a influenciar diretamente o valor dos ativos e as decisões dos investidores. Na sua perspetiva, como é que os critérios ESG estão a alterar os modelos de avaliação e qual será o seu peso nas operações imobiliárias e empresariais nos próximos anos?
Os critérios ESG já estão a ter um impacto direto na avaliação porque afetam variáveis económicas muito concretas: custos operacionais, acesso a financiamento, atratividade para investidores e risco de obsolescência. A sustentabilidade já não é um elemento acessório, mas sim um fator que influencia a rentabilidade presente e futura.
Num ativo industrial, por exemplo, o custo da energia é hoje tão relevante como a própria capacidade produtiva. Uma fábrica mais eficiente, com menor consumo ou melhor adaptação às exigências regulamentares, tem mais capacidade de preservar valor. O mesmo acontece no imobiliário: os ativos sustentáveis são mais atrativos para o capital e mais resilientes a médio prazo.

Portugal continua a despertar interesse entre investidores nacionais e internacionais. Que tendências identifica atualmente no mercado português e quais são os segmentos de ativos que considera que têm maior potencial de valorização nos próximos anos? Existem novas oportunidades que ainda estão a ser subvalorizadas pelo mercado?
Portugal é um mercado atrativo pela sua estabilidade e capacidade de oferecer oportunidades de criação de valor a médio e longo prazo. Uma delas é a habitação; a produção é insuficiente face à procura existente e isso representa uma oportunidade para os promotores. A isso junta-se o peso do turismo, que continua a proporcionar procura adicional de segunda residência e aluguer temporário.
Vemos um potencial especial no segmento “Living”; o coliving, o senior living ou residências de estudantes são áreas onde a profissionalização da oferta e a escassez de produto geram oportunidades relevantes.

Num cenário em que empresas e investidores procuram reduzir riscos e tomar decisões cada vez mais informadas, qual é hoje o verdadeiro valor acrescentado de recorrer a uma consultora independente? Como é que a independência técnica influencia a credibilidade das avaliações e a confiança dos mercados?
O valor acrescentado está na objetividade, no rigor e na credibilidade que proporciona. Em mercados cada vez mais complexos, a independência técnica é essencial para que uma avaliação seja percebida como fiável por todas as partes: investidores, financiadores, auditores, reguladores ou equipas de gestão. A isto junta-se a capacidade de trabalhar com um grande volume de informação e um conhecimento exaustivo e específico de cada mercado, o que permite contextualizar cada avaliação e oferecer análises ajustadas à realidade de cada ativo e de cada setor. Também reduz preconceitos, melhora a confiança e facilita decisões. Não se trata apenas de emitir um parecer técnico, mas também de fornecer uma base consistente para processos-chave de investimento, financiamento, entre outros. A independência, juntamente com o conhecimento especializado, é um dos grandes pontos fortes do Grupo Gesvalt. 

A Gesvalt opera em diferentes mercados e acompanha projetos de grande complexidade. Que inovação ou transformação considera que marcará a próxima década na área da consultoria e avaliação de ativos? Estamos preparados para um futuro onde a tecnologia realizará grande parte da análise, mas onde a interpretação humana continuará a ser decisiva?
A automação, o uso mais intensivo de inteligência artificial, analítica avançada e o processamento de dados em massa serão determinantes.  Mas isso não elimina a importância do critério humano. No Grupo Gesvalt, é claro que a tecnologia é uma alavanca extraordinária, mas que o valor diferencial continuará a estar na capacidade de interpretar a informação, entender o contexto e traduzir os dados, porque avaliar não é apenas calcular: é compreender ativos, mercados, riscos e oportunidades.

O seu percurso tem sido caracterizado pela liderança, inovação e visão estratégica no setor da consultoria e avaliação de ativos. Como líder da Gesvalt, que legado pretende construir e que mensagem gostaria de deixar às empresas, investidores e profissionais que procuram criar valor num mercado cada vez mais exigente e em constante transformação?
Gostaria que se apoiassem em três ideias: confiança, excelência e adaptação. Confiança, porque o nosso trabalho deve ajudar a tomar melhores decisões. Excelência, porque o rigor técnico é irrenunciável. E adaptação, porque vivemos num ambiente que exige evolução permanente.


Mais Artigos Relacionados "Business Voice"