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As Mulheres no Imobiliário

As mulheres têm ganho cada vez mais espaço no setor imobiliário e construção, mas estão ainda longe de uma igualdade com os homens.

A WIRE Portugal (Women in Real Estate) é uma associação que tem como objetivo aumentar a visibilidade das mulheres no setor do imobiliário e da construção, impulsionando a sua representatividade e defesa dos seus interesses, posicionando-as como participantes ativas e de referência.
Todas as associadas da WIRE tem funções de Direção e C level em todas as áreas do imobiliário e construção, são profissionais de excelência, do melhor que Portugal tem. Não somos a favor de quotas, mas a favor do mérito em igualdade de circunstâncias.
Apesar da crescente participação das mulheres em cargos de decisão não há dúvidas que ainda é inferior à dos homens. A grande maioria dos cargos de CEO e administração são ocupadas por homens e não por mulheres. Existem, ainda hoje, diferenças salariais entre mulheres e homens principalmente em cargos comerciais e de gestão, o que não é de forma alguma aceitável.
Por outro lado, estes setores exigem disponibilidade e flexibilidade, o que é sem dúvida um desafio para as mulheres que querem também ter disponibilidade para os seus filhos. Existem ainda muitas empresas que não estão disponíveis para criar a flexibilidade necessária para as mulheres conseguirem coordenar a sua vida familiar com a sua vida profissional e atingir o auge na sua carreira profissional. Não é fácil a conciliação da vida pessoal com a vida profissional. Por isso, cada vez mais mulheres criam os seus próprios negócios assumindo elas próprias o risco inerente e prescindindo de carreiras de sucesso em grandes empresas.
É também verdade cada vez mais as empresas estão focadas em promover a igualdade e criar políticas que favoreçam a diversidade e a inclusão das mulheres nas suas carreiras profissionais, nomeadamente no setor imobiliário e no setor da construção, esta diversidade é muito menos visível.
O mercado imobiliário está em grande transformação digital e são muitas as mulheres que se têm destacado nesta área adotando novas tecnologias e inovação, para melhorar a sua capacidade de trabalho e otimizar os processos que têm em mãos em benefício dos clientes.
A sustentabilidade dos projetos imobiliários é cada vez mais uma realidade que faz parte integrante deste setor e há sem dúvida muitas mulheres interessadas na sustentabilidade do imobiliário e que estão a liderar este movimento.
O mesmo acontece no mercado de luxo e bem-estar uma área também cada vez mais importante e também liderada na grande maioria por mulheres. As mulheres têm uma capacidade e intuição nesta área que os homens não têm.
Não tenho dúvidas que a liderança das mulheres está em ascensão, mas há ainda um longo caminho a percorrer.
A WIRE existe para isso mesmo: ajudar as mulheres a terem cada vez mais confiança nelas próprias, aprenderem a liderar sem receio, darem livremente as suas opiniões, serem ouvidas pela administração em tudo que diga respeito ao setor imobiliário e da construção. Não queremos ver painéis só de homens a falarem entre eles, a opinião das mulheres é muitas vezes diferente e faz falta. Só assim, vamos conseguir a mudança que todos queremos.
A WIRE faz também um trabalho muito importante de mentoring com o objetivo de acelerar o desenvolvimento profissional destas mulheres jovens, proporcionando-lhes uma orientação especializada para superar desafios específicos do setor, fomentar habilidades de liderança, fortalecer a sua confiança, promovendo a igualdade de oportunidades. O programa ajudará também estas mulheres a ampliar a rede de contatos e a prepará-las para cargos de maior responsabilidade, contribuindo para o aumento da representação feminina em posições de destaque em ambos os setores imobiliários e construção.
As mudanças legislativas em 2024, no setor residencial, foram bastante importantes, desde o “Mais habitação”, à simplificação do licenciamento (decreto-lei 10/2024 de 8 de janeiro) conhecido como o Simplex, à revogação dos Residentes Não Habituais (RNH) e a criação de um imposto especial no Alojamento, agora revogado, que acabaria com o mesmo a curto prazo.
No que diz respeito ao Simplex, muito aguardado pelos investidores, visto que é uns grandes custos que afeta o preço dos terrenos, porque ficam parados muitas vezes durante anos à espera das licenças, não deu os resultados esperados embora se note de facto alguma melhoria. Uma das regulamentações fundamentais, ainda em falta, é a uniformização dos regulamentos diferentes em cada uma das 308 Câmaras Municipais e que cada uma delas interpreta à sua maneira! Isto é um suplicio para qualquer investidor.
Outra área muito importante é fiscalidade que afeta o setor imobiliário. Com efeito, um promotor ao adquirir um terreno para construção paga IMT e IS, 6,8% sobre o preço do terreno, 23% sobre o custo da construção, não dedutível, e paga ainda custos altíssimos de licenciamento e cedências às Câmaras. Já sem falar no IMI e AIMI, este último supostamente provisório que deveria ter acabado há muito tempo. Todos estes impostos vão ser englobados no preço das casas e apartamentos que são vendidos no mercado português.
Importa referir, que na maioria dos países europeus, nomeadamente em Espanha, não existem os 23% na construção não dedutíveis, o que é uma grande diferença no valor final da residência, esta alteração ajudava e muito embora não resolvesse totalmente a problema da habitação.
Com efeito, o verdadeiro problema é que a oferta é inferior à procura e enquanto assim continuar os preços não vão descer. O setor publico e o setor privado têm de se unir para resolver este problema, gravíssimo que afeta a habitação em Portugal, construir cada vez mais no mais curto espaço de tempo possível.
Por outro lado, há que alterar, quanto antes, o Regime Geral das Edificações Urbanas (RGEU) uma legislação de 1951 totalmente desatualizada designadamente no que respeita ás áreas e outras exigências, criando grandes problemas por exemplo ao co-living. O Built to Rent (construir para arrendar) também nunca arrancou em Portugal, por várias razões, neste momento as rendas são particamente iguais ao montante que se paga num empréstimo à banca, e, por outro lado, a lei do arrendamento favorece o inquilino relativamente ao senhorio. Enquanto assim for, haverá muitos proprietários que preferem ter as casas vazias do que correrem o risco de demorarem anos a despejar um inquilino, que não paga a renda.  
Há muito a fazer, mas é preciso coragem e foco nos principais problemas do país.
Importa também pensar e planear as nossas cidades e a nossa costa. Não podemos deixar aparecer estes edifícios monstruosos na nossa costa. Muito já está estragado, mas há ainda muito que pode ser preservado. Todos sabemos que existe corrupção em muitas Câmaras do país, todos os dias aparece nos media. Uma das soluções seria ter uma entidade nacional que regulasse e planeasse a construção, tendo ainda o cuidado de a integrar na natureza. Os benefícios seriam posteriormente distribuídos pelos municípios de acordo com determinados critérios, população, localização e outros que se entendam adequados. Seria proibido construir junto ao mar mais que dois andares, ou mesmo um, atrás quatro andares e assim por diante. Seriam obrigatórios espaço para jardins e espaços verdes. Talvez assim se conseguisse preservar a beleza da nossa costa e a parte de Portugal que ainda não foi destruída.

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