“Escrevo com a Alma de quem se Reinventa no caos”
Anabela Vaz, Autora e Escritora, apresenta-se como uma voz sensível e inspiradora no panorama literário contemporâneo. É autora do livro O Mundo Precisa de Fadas, uma obra que convida à reflexão sobre a imaginação, a esperança e os valores humanos essenciais. Paralelamente à sua escrita, assume o papel de Embaixadora da Épicas Hub, onde promove a criatividade, a cultura e o poder transformador das histórias. Nesta entrevista, ficamos a conhecer melhor o seu percurso, as motivações por trás da escrita e a mensagem que procura transmitir ao mundo.
O seu livro O Mundo Precisa de Fadas transmite mensagens de esperança, imaginação e empoderamento. Pode partilhar o que a inspirou a escrever esta obra e qual a principal mensagem que pretende transmitir aos leitores?
O Mundo Precisa de Fadas é a minha terceira obra e o meu segundo livro infantojuvenil. É, para mim, um verdadeiro livro-missão. Uma obra que, nas asas de muitos voluntários, autênticas almas de fada, já chegou aos braços de inúmeras crianças frágeis, dentro e fora de Portugal. Voou até orfanatos, hospitais e lares, tocando meninos muito especiais.
É um livro pensado para crianças e adultos, porque acredito profundamente que o mundo precisa da magia, da bondade, da paz e da harmonia das fadas. Em cada criança vive uma fada que precisa de ser cuidada, mimada e alimentada com carinho e doçura. Quando essa magia é preservada, permanece viva para sempre na alma. Felizmente, existem adultos, almas boas que continuam a acarinhar e a nutrir esse encanto dentro de si.
Escrevo muito sobre o mundo que gostaria de ver florescer. Este livro nasceu do contexto de turbulência que atravessamos: guerras, escassez de empatia, pobreza de valores. É urgente cultivarmos sementes de harmonia para que a paz possa florescer. Precisamos de deixar às nossas crianças um legado de luz e amor. Onde existe amor, há um conto de fadas.
Acredito, do mais fundo da minha essência, que o mundo precisa de fadas e que a bondade, o amor, a união e a solidariedade são os nossos verdadeiros poderes mágicos.
Ao criar um mundo mágico como o das fadas, como desenvolveu os personagens e as histórias? Houve experiências pessoais que influenciaram esse processo criativo?
O mundo das fadas é uma metáfora de bondade, gentileza, amizade e brilho. No fundo, é o reflexo da pureza e da inocência da infância, quando a beleza e a fantasia habitam naturalmente em nós. Desenvolver personagens, fadas, elfos, sereias, fénix, dar-lhes personalidade, forma e história é um desafio exigente, mas profundamente prazeroso. A criatividade, para mim, precisa sempre de um propósito nobre.
Desde muito cedo fui apaixonada pelo universo mágico das fadas e das palavras. Desde que aprendi a escrever, encantei-me com a possibilidade de dar vida às páginas em branco, transformando pequenos pontos em histórias oníricas. As minhas memórias levam-me a brincar com fadas e elfos, num mundo onde tudo era possível.
Durante anos, porém, a responsabilidade afastou-me desse voo. Foram 21 anos no mundo austero e exigente dos números, onde os sonhos ficaram em suspenso. Em 2019, com o nascimento da minha neta Benedita, algo se transformou profundamente. Aos 48 anos, deixei a razão de lado e abracei a emoção. O seu brilho, fragilidade e beleza reacenderam a menina criativa que vive em mim. A minha neta é uma fonte inesgotável de inspiração. Quando nasce uma avó, nasce também um conto de fadas.
Como Embaixadora da Épicas Hub, que valores a motivam a apoiar esta comunidade e como vê a relação entre essa função e o seu trabalho literário?
O meu caminho cruzou-se com a Épicas Hub de forma mágica. Houve uma empatia imediata, assente em valores comuns: resiliência, reinvenção, espírito de missão e solidariedade. Sou uma embaixadora mais etérea, que vive a planar entre a terra e a lua, entre a emoção e a leveza. Elas são a terra, eu sou a lua. A beleza reside precisamente nessa complementaridade.
A diversidade é a nossa maior riqueza. É ela que nos une e inspira outras mulheres a fortalecerem-se e a partilharem conhecimento. Todas transformámos uma fase desafiante das nossas vidas; a menopausa e a perimenopausa, num ponto de metamorfose. Renascer é reajustar a bússola, encontrar um novo norte e seguir com confiança.
A literatura é poderosa. Detém uma missão nobre: promover o sonho, a fé e a resiliência. A minha escrita não teme tocar no fundo das coisas, na dor, no desapego, na transformação, no que se desfaz e no que renasce. Escrevo como quem atravessou ventos internos e saiu mais inteira.
De que forma a literatura infantil e juvenil pode contribuir para o desenvolvimento emocional e social das crianças?
Cada livro encerra um tesouro. A leitura promove empatia, criatividade, curiosidade e pensamento crítico. Defendo que o gosto pela leitura deve ser despertado desde cedo, com a família a assumir um papel ativo.
Quanto mais as crianças leem, mais naturalmente desenvolvem uma linguagem oral e escrita rica e expressiva. Incentivar a escrita, um diário, pequenas histórias, fortalece a autoestima e a criatividade. Na era digital, este trabalho é ainda mais precioso.
As histórias mágicas constroem valores. O Mundo Precisa de Fadas ensina que a solidariedade e a união são poderes mágicos. Num mundo cada vez mais denso e carente de afetos, é essencial imbuir o espírito das nossas crianças com mensagens de esperança e luz.
Quais foram os maiores desafios do seu percurso como autora e embaixadora?
A vida é, por si só, um grande desafio. Um caminho sinuoso, cheio de curvas. Escrevo com a alma de quem se reinventa no caos. Durante anos, a responsabilidade afastou-me da escrita, mas a chama dos sonhos nunca se apagou.
Aos 48 anos, escolhi a emoção. Com a audácia dos 20 e a maturidade dos quase 50, abracei a minha vocação. Houve incerteza, mas a fé nunca vacilou. O verdadeiro sucesso nasce da persistência e da autenticidade.
Que projetos tem em mente para o futuro?
Tenho duas novas obras infantojuvenis em fase de edição. Um Dia de Sonho na Vida da Princesa Lara é um livro solidário, cujos direitos de autor revertem integralmente para uma criança com uma doença degenerativa grave. Desejo Ser um Abraço é um projeto terno que inclui uma vertente musical para ser apresentada em escolas.
Pretendo reforçar o voluntariado de leitura em escolas e hospitais e dinamizar workshops de escrita criativa na Épicas Hub. Contar histórias é curar. Ao partilharmos vulnerabilidades, criamos espaços de acolhimento, compreensão e inspiração.