Pesquisar

Utilizamos cookies para garantir que tenha a melhor experiência no nosso site. Ao continuar a utilizar o nosso site, você aceita o uso de cookies e a nossa Política de Privacidade.

“A Essência Feminina é a Minha Eterna Musa”

No Dia Internacional da Mulher, a Business Voice celebra as vozes que escrevem, questionam e transformam o mundo com palavras. Anabela Vaz, Autora e Escritora, lembra-nos que a força feminina também vive na sensibilidade, na imaginação e na coragem de acreditar num mundo mais justo. Autora do livro “O Mundo Precisa de Fadas”, traz para esta entrevista uma reflexão profunda sobre o papel da mulher, o poder das histórias e a urgência de não perdermos a magia — mesmo em tempos difíceis. Porque ainda precisamos de fadas. Mas, acima de tudo, precisamos de mulheres que ousam escrever novos mundos. 

Se o mundo de hoje fosse um conto de fadas moderno, quem seria a vilã mais perigosa para as mulheres e porque ainda não aprendemos a reconhecê-la a tempo?
 Se o mundo fosse um conto de fadas moderno, a vilã mais perigosa para as mulheres seria a comparação, a sombra dessa insegurança, a erosão que desfigura a essência. 
O espelho pode devolver-nos fascínio, beleza e singularidade. Mas basta o confronto com padrões artificiais, ecrãs filtrados e ideais inalcançáveis para que a autoconfiança vacile e o desânimo impera. 
A busca obsessiva pela perfeição alheia paralisa, petrifica e obscurece aquilo que em nós é único. Como comparar o inigualável?
Importa empoderarmo-nos, dignificarmo-nos fortalecermo-nos. Por vezes não reconhecemos esta vilã a tempo porque recalcamos, calamos a nossa intuição. Num mundo de ruído não permitimos reinar o silêncio do nosso esplendor. Empoderar-nos é um ato de resistência. Dignificar-nos é um gesto de liberdade. Fortalecer-nos é a nossa forma de magia. Preservar a nossa essência é o mais poderoso ato de magia.

No seu livro “O Mundo precisa de Fadas”, a magia surge como resistência. Que atos “mágicos” invisíveis, mas profundamente transformadores vê as mulheres a praticarem todos os dias sem que isso seja reconhecido?
Nos meus livros a magia, o limite entre o real e do irreal é constantemente ultrapassado.
Existe uma linha tão ténue entre eles que se entrelaçam. Escrevo em metáfora, o onírico é sublime e profundamente transformador. O impossível é a linguagem da transformação.
As mulheres são alquimia viva: magnetismo poderoso, encanto, feitiço, arte, fascínio e ternura. A Magia de treparmos ao topo da montanha sem material de escalada.
Detemos o poder silencioso de transformar e cuidar gerações.
Somos luz, coragem, bondade e inteligência emocional. Heroicamente Rompemos com padrões castradores que nos impõe incessantemente. Ser Mulher é um caleidoscópio de sentimentos sublimes e poderosos. O amor é o nosso farol, amamos os filhos para lá das estrelas. Somos fascínio, ousadia, brilho e beleza essencial.
Voamos pela Via Láctea, tocamos o universo e oferecemos, sem limites, tudo aquilo que nos transborda a alma. Transformamos cada dia num tributo, do alto dos nossos tacões ou da firmeza dos nossos pés descalços. Enfrentamos com elegância, carisma e determinação desafios tantas vezes intransponíveis. As nossas emoções não são experiências privadas: são forças que moldam vidas e escrevem histórias. Tudo isto sem esperar reconhecimento, sem pedir nada em troca que não seja respeito e acolhimento. Não será tudo isto a maior manifestação de magia do universo?
 
O Dia Internacional da Mulher tornou-se, para muitos, uma data simbólica e confortável. Que desconfortos acha que ainda precisamos de provocar para que o 8 de março volte a ser um dia de rutura e não apenas de celebração?
 Importa, cada uma de nós se embuir da percepção de que décadas e décadas de luta por liberdade, dignidade e respeito, não se podem apenas resumir a um número no calendário. 
O Dia Internacional da Mulher não deve ser apenas celebração, deve ser consciência, ruptura, ação e transformação contínua. Somos ícones, heroínas quotidianas num mundo em desequilíbrio.Importa uma união. Digo isto porque na maior parte do tempo entre nós existe uma rivalidade ancestral que urge romper. De nós para nós somos muitas vezes as maiores carrascas. Uma verdade brutal, mas é real. Importa sermos desruptivas com este padrão miserável de escassez emocional de egoísmo de desumanidade. Unidas, fortalecidas e conscientes, poderemos desafiar normas e dogmas que ainda restringem a nossa liberdade, com respeito por nós próprias e pelo nosso valor coletivo.

Se pudesse escrever uma nova personagem feminina para o seu livro inspirada nas mulheres de hoje, que qualidades teria  e que defeitos assumiria sem pedir desculpa?
A essência feminina é a minha eterna musa. Adoro tecer e tornear as minhas personagens femininas com ternura e doçura, sempre com uma pitada de rebeldia delicada, bondosa e corajosa. Neste momento inspirado na mulher, contemporânea eu criaria uma mulher plena de talentos e defeitos em comunhão com a natureza, assim como as estações do ano, luminosa, vaporosa, subtil, leve, radiante, etérea, deslumbrante, terna, sensual, livre, amena, quente, tímida, audaz, mas também austera, fria, opaca, intensa, inóspita, feroz, estéril, ausente, gelada, escassa. Uma mulher que deixa cair a máscara que a impede de ser feliz, sem se importar com críticas ou imposições sociais castradoras. Genuína, imperfeita e humana, distante de qualquer ideal artificial ou em serie. Ela veste a capa da sua essência e permite-se brilhar, mesmo quando a tentam ofuscá-la e atingi-la com flechas negras. A sua maior força é ser audaz e verdadeira.

Acredita que ainda exigimos às mulheres que sejam fortes como guerreiras, mas suaves como fadas? Como se quebra este paradoxo sem perder a ternura? 
Vivemos entre dois arquétipos: a guerreira e a fada. A força e a delicadeza. O ferro e a seda. O segredo não é escolher um lado, mas abraçar ambos, com consciência e autenticidade. Cada mulher carrega dentro de si a doçura de uma fada e a ferocidade de uma guerreira. O equilíbrio nasce quando ousamos olhar para dentro, imergir em nós, reconhecer virtudes e imperfeições, permitir-nos ser inteiras, sem máscaras, sem medo, sem culpa. A alma é um barómetro sábio. Quando aprendemos a escutar o seu eco, sabemos exatamente quando ser ternura e quando ser tempestade. 
 
Se pudesse deixar uma “mensagem secreta”, escondida entre linhas, para a próxima geração de mulheres, que frase curta, quase um feitiço escolheria?
Faz da tua essência e carisma o par de asas que te conduzem aos teus sonhos.

Mais Artigos Relacionados "Atualidade"