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Tudo sobre as Eleições

 Luta renhida pelo segundo lugar acabou este domingo com Pedro Nuno Santos a anunciar eleições diretas. Montenegro pede responsabilidade e sentido de Estado às oposições.

O país assistiu a umas eleições sem precedentes, em que a Esquerda saiu arrasada e Pedro Nuno Santos anunciou que deixa a liderança socialista. O PS ficou empatado nos 58 deputados com o Chega, que poderá consagrar-se como segunda força do Parlamento se voltar a ter vantagem na hora de somar os círculos da emigração. André Ventura já reclamou este título e fará a vida difícil à AD após Luís Montenegro ter reforçado a votação, mas longe da maioria necessária, mesmo com a IL. Já o líder socialista vai pedir eleições diretas para “não ser um estorvo” ao PS e a um hipotético cenário de bloco central. Também o BE assumiu a pesada derrota e só o Livre contrariou o descalabro.

PS só garantiu Évora
Nestas eleições antecipadas, marcadas após o chumbo da moção de confiança que Montenegro apresentou devido ao caso da Spinumviva, o Parlamento encostou ainda mais à Direita. Fruto desta reorganização no xadrez parlamentar, PS e PSD deixam de formar juntos uma maioria constitucional para eventuais revisões.
A história política mais recente mostra que são responsabilizados nas urnas aqueles que conduziram o país a novo sufrágio, tal como parece ter acontecido com  PCP e Bloco no pós-geringonça. Pedro Nuno tem repetido que o PS “não provocou estas eleições”, mas o certo é que foi penalizado. E com ele quase todas as esquerdas. Após ter passado a noite numa disputa renhida com o Chega pelo segundo lugar, saiu pelo seu pé, recusando ser “suporte” deste Governo. No entanto, após ter perdido muitos dos seus 78 deputados e de ter ficado empatado com a extrema-direita – embora numa ligeiríssima vantagem percentual – também se quis antecipar a quem pede a cabeça do líder. Na calha está José Luís Carneiro, que foi candidato contra Pedro Nuno Santos à liderança do PS e agora voltou a ser cabeça de lista por Braga, onde os socialistas ficaram em segundo.

O Chega chumbou igualmente a moção de confiança, mas, ao contrário do PS, reforçou a votação. E venceu em quatro distritos - Faro, Beja, Setúbal e Portalegre – enquanto Évora foi o único pintado de cor de rosa, num mapa dominado pela coligação de Direita que ontem alargou a sua representação. Enquanto a bancada da AD já subiu de 80 para pelos menos 89 eleitos, a IL cresceu um, para nove deputados.
Após ter anunciado a morte do bipartidarismo em Portugal, Ventura terá de decidir se mantém o perfil de partido antissistema e de protesto, tendo em conta desde logo a proximidade das autárquicas e das presidenciais. Há um ano, dirigindo-se ao PSD, tinha dito que apenas um líder “irresponsável” poderia manter o “não” irrevogável ao Chega, sob pena de não ter uma “maioria clara”. Desta vez, o tom foi diferente. “Estamos quase lá”, afirmou ontem, deixando claro que a estratégia é manter o rumo para chegar ao primeiro lugar e “governar Portugal”.
Montenegro faz apelo
Já Luís Montenegro, a quem o presidente dará novamente posse como primeiro-ministro, disse acreditar que o sentido de Estado e de responsabilidade irá imperar entre as oposições. E pediu que o deixem “governar” e “trabalhar” nos próximos quatro anos. Independentemente da estabilidade ou da falta dela, está afastado um cenário de novas legislativas num espaço superior a um ano porque há presidenciais em janeiro.
Quanto à restante composição do novo hemiciclo, o partido madeirense JPP faz a sua estreia com um representante, o PAN mantém a sua deputada única Inês Sousa Real, que foi eleita por Lisboa, o Bloco cai de cinco para um deputado, a CDU de quatro para três e o Livre sobe de quatro para seis, liderando agora a tabela dos partidos mais à esquerda do PS.

35% de abstenção
É a mais baixa registada em 30 anos, quando em 1995 foi de 33,70%. Não estão incluídos os eleitores da emigração, cuja participação e escolhas são conhecidos a 28 de maio

Participação foi boa após ciclo de eleições
As eleições de ontem, em que os portugueses foram chamados a votar em legislativas pela quarta vez em menos de seis anos, ameaçavam agravar a abstenção. O  espaço médio entre legislativas, de 2019 a 2025, foi de um ano e cinco meses, com quatro eleições. Os portugueses, contudo, aderiram à votação e a abstenção foi de 35,6%, a mais baixa desde 1995. Já em 2024 tinha sido registada a menor taxa em quase 20 anos.

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