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O Equilíbrio e a Força Feminina no Setor Segurador


Num setor tradicionalmente marcado pela presença masculina, o papel das mulheres nos seguros tem vindo a afirmar-se com consistência, competência e sensibilidade estratégica. À frente da Nascente Corretora de Seguros, Ana Luísa Costa é hoje um exemplo notável dessa evolução, liderando com uma visão moderna e inclusiva que valoriza o talento e o contributo feminino em todos os níveis da organização.
“Na minha Equipa, atualmente formada por 80% de Mulheres, destaco as suas capacidades todos os dias, permitindo e delegando para que se possam evidenciar e representar a Nascente no exercício do seu trabalho, garantindo a minha confiança total”, afirma a nossa interlocutora, sublinhando a importância de promover espaços de crescimento e autonomia para as profissionais do setor.
Para Ana Luísa Costa, o impacto da presença feminina no universo segurador vai muito além da representatividade: “A presença feminina neste setor faz muita diferença, trazendo ao setor e aos intervenientes a capacidade de equilíbrio perante as situações de trabalho”.
Com uma liderança pautada pelo rigor técnico e pela empatia, a Diretora-Geral da Nascente Corretora de Seguros, acredita que as mulheres têm desempenhado um papel essencial na construção de um ambiente mais colaborativo, humano e equilibrado, capaz de responder com sensibilidade e eficácia às exigências do mercado e às necessidades dos clientes.
O testemunho de Ana Luísa Costa reflete uma mudança estrutural no setor dos seguros: o reconhecimento de que a diversidade de perspetivas é um fator determinante de inovação, confiança e sustentabilidade.

No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, gostaríamos de começar pelo seu percurso: que momentos ou experiências considera decisivos para alcançar a posição de Diretora Geral da Nascente Corretora de Seguros?
A Nascente Corretores de Seguros é uma empresa do setor segurador que iniciou a sua atividade em 1995 e desde logo com a característica, trata-se de empresa familiar, tendo nas suas raízes as pessoas mais importantes da minha Vida, os meus Pais.
Em1995, nasce a Dias da Costa Soc. De Mediação na qual Eu e a minha irmã fizemos parte dos seus estatutos como sócias.
Confesso que os Pais ao nos darem este “estatuto”, o termos acompanhado todo este processo inicial deu-nos um sentido de responsabilidade, e também de muito orgulho e admiração sobre este projeto que iniciavam.
Por influência, ou não, fiz a minha formação académica na área em que sabia que era a minha aptidão natural, área Financeira e de Gestão, fazendo a especialização na área Seguradora ainda mesmo antes de terminar o Curso. Estive presente no escritório, desde cedo pelo que com o decorrer do tempo fui-me envolvendo na dinâmica da empresa e na sua Gestão. 
Passei por todas as áreas na empresa, tendo iniciado todo o dossier junto do ISP, atual ASF, para passagem a Corretores de Seguros que se concretizou em 2004, sendo nesta altura nomeada Gerente da Empresa.
 A empresa foi-se desenvolvendo, crescendo, consolidado o seu negócio e marcando a sua presença neste setor e vincando a sua especialização em algumas das áreas de negócio junto dos nossos clientes, desde dos Particulares, Empresarias e também Entidades Públicas, estando os mesmos distribuídos de norte a sul do País e Arquipélagos, sendo a nossa abrangência total.
Em 2022, por razões diversa e sem dúvida por validação do meu Pai, que dá nome à Empresa, com o seu Apelido Dias da Costa avançamos para uma mudança. Somos os mesmos e criamos uma nova marca adotando uma nova denominação social de Dias da Costa Corretores de Seguros Lda para Nascente Corretores de Seguros Lda. Este foi o momento, sem dúvida, o da tomada de posição como Diretora Geral da Empresa, preparando uma eventual saída tranquila do Pai, que a merece, mas que não vai acontecer pois faço questão da sua presença diária.
2025 estamos em ano de celebração dos 30 anos e venham sem dúvida os próximos.

O setor segurador tem uma imagem tradicional e altamente regulada. Quais foram os maiores desafios que enfrentou nos seus primeiros anos de carreira e de que forma os ultrapassou?
É verdade e concordo com a necessidade de a atividade ser regulada.
Desde 2006, data a partir da qual vimos a Lei n.º 144/2006 ser implementada pela nossa entidade reguladora, as mesmas tiveram forte impacto, mostrando-se fundamentais e por essa altura 2006 e 2007 foi um grande desafio para todos os intervenientes na mediação e corretagem, cumprir e implementar as regras que para a atividade eram fundamentais.
Em 2019, surge a Lei 7/2019 que revoga a anterior Lei e implementa a diretiva europeia 2016/97/EU conhecida como Diretiva de Distribuição de Seguros e que reforça as regras para o acesso e exercício da atividade de mediação de seguros, incluído os deveres de informação, proteção do cliente, exigências de qualificação e formação continua dos mediadores.
Como corretores estamos perante obrigações que são permanentes e constantes, junto da nossa entidade reguladora, ASF.
No nosso perfil de Gestão Interna, junto dos nossos Clientes e da nossa Equipa, regemo-nos de procedimentos internos que nos conferem a especialização, mas e também o cumprimento das diversas imposições legais.

Na sua perspetiva, como tem evoluído a presença feminina em cargos de liderança no setor dos seguros em Portugal? Estamos perante uma mudança estrutural ou ainda pontual?
Sempre estive deste lado, da Mediação, da Corretagem de Seguros pelo que no setor dos Seguros em Portugal, podemos efetivamente estabelecer dois lados a mediação e as Seguradoras, não como lados opostos, mas sim como entidades complementares e que trabalham em conjunto em perfeita colaboração e nos dois lados a presença masculina sempre foi dominante, muitas vezes partilhava com o meu Pai o que sentia e afirmei muitas vezes, que estava inserida num mundo só de homens.
Passados vinte e cinco anos, e de acordo com a minha experiência pessoal, passada e até ao momento, a evolução da presença feminina em cargos de liderança, é algo que ocorre muito pontualmente. Quando eu paro para pensar confesso que desanimo.
Eu sou desafiante e impulsionadora para trazer ao de cima o trabalho bem feito e bem executado pelas mulheres neste setor. Na minha Equipa, atualmente formada por 80% de Mulheres destaco as suas capacidades todos os dias, permitindo e delegando para que se possam evidenciar e representar a Nascente no exercício do seu trabalho, garantindo a minha confiança total.

Quais são, ainda hoje, as principais barreiras que uma mulher pode encontrar ao tentar assumir cargos de topo numa corretora ou numa seguradora?
Qualquer líder pretende ser um exemplo, mas efetivamente temos muitas horas de trabalho, temos muita dedicação a uma equipa de trabalho, quando assumimos este posicionamento, significa que não trabalhamos sozinhos, mas sim em equipa e há uma serie de situações que têm de ser trabalhadas diariamente para que tudo funcione e bem. 
O saber delegar é algo que não é inato, mas sim uma qualidade que se adquire ao longo do tempo e que em determinada altura é necessário pôr em prática, e não é fácil, as equipas, os departamentos e as pessoas são todas diferentes efetivamente.
O Tempo de trabalho é equivalente a todos, estamos todos em situação de igualdade, mas a vida de uma mulher, tem outras exigências, pois o casamento, os filhos, o segundo turno, como por vezes se brinca, existe, e a carreira profissional para muitas fica por ali, e não deveria ser assim. 
Muito comum e por variadíssimas razões, a mulher fica numa situação de ter de fazer opções e válidas, umas que vão impulsionar a subida na carreira profissional ou então como já referi o estagnar da mesma.

Muitos especialistas defendem que as mulheres trazem características próprias para o exercício da liderança, como empatia, comunicação ou capacidade de negociação. Que valor acrescentado considera que o olhar feminino aporta ao setor dos seguros?
Posso ser suspeita, mas é verdade, não sendo as mulheres todas iguais, pois isso não existe em lado algum, falo sem dúvida da minha experiência pessoal, a presença feminina neste setor faz muita diferença trazendo ao setor e aos intervenientes a capacidade de equilíbrio perante as situações a trabalho. Sermos firmes no nosso posicionamento e defende-lo esgotando e levado ao nosso expoente máximo a nossa capacidade de comunicação e negociação. 

O setor segurador vive hoje transformações profundas, com a digitalização, novas exigências dos clientes e regulação apertada. Que oportunidades específicas vê para as mulheres no contexto desta transformação?
Muito importante ter vontade de fazer a diferença, com todas estas exigências e evolução, é importante não perder o foco de avançar e evoluir no contexto diário e que implica muitas situações. 
Quando o objetivo é estar junto do Cliente, o mesmo exige muitas diligências, nomeadamente não parar de querer aprender e atualizar todos os produtos no mercado, domínio das plataformas, desmaterialização a 100%, estando implementado o digital em todas as vertentes junto do Cliente e aqui estamos perante uma realidade fantástica.   

Houve mulheres (ou mesmo homens) que a inspiraram ao longo da sua jornada profissional e que contribuíram para o seu estilo de liderança?
Claro que sim, os meus Pais, sem dúvida, são os melhores e os responsáveis por tudo o que conquistei até hoje, sendo que me continuam a inspirar e a motivar todos os dias.
Atualmente a minha maior motivação, para continuar a ser uma líder exemplar são o meu marido e os meus filhos.

Que conselhos deixaria às jovens que hoje iniciam a sua carreira no setor dos seguros e ambicionam um dia chegar a posições de liderança?
Ás Jovens mulheres neste setor, espero que o meu testemunho seja um impulso, e que se realmente o trabalhar neste setor é uma meta pessoal, trabalhem muito e bem e defendam sempre o vosso posicionamento e acreditem que irão aprender algo de novo todos os dias. Acreditem em vocês próprias, sempre.

Se pudesse projetar o setor segurador português daqui a dez anos, como imagina a participação feminina em cargos de topo? Que papel gostaria de ver as mulheres a desempenhar nesse futuro?
Projetar Futuro não é tarefa fácil, com o setor em constantes mudanças. Ficaria muito feliz se efetivamente conseguíssemos verificar num futuro uma maior presença feminina nos lugares de Topo, de Direção, de Presidência e acredito que vamos começar a ver esta realidade acontecer.

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