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Mensana: Saúde Mental com Propósito e Humanismo

Na mais recente edição da Business Voice, tivemos o privilégio de entrevistar Rita Marta, Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta, Psicanalista e Fundadora da Mensana - Mental Health Clinic. Com uma abordagem profundamente humana e especializada, Rita Marta partilhou connosco a missão da Mensana: oferecer um espaço seguro e ético para o cuidado da saúde mental, onde cada pessoa é escutada na sua singularidade.
Durante a conversa, a Fundadora destacou o crescente reconhecimento da importância da saúde mental em Portugal, embora ainda existam estigmas e resistências culturais a ultrapassar, pois ainda há quem associe procurar ajuda psicológica a fraqueza, quando na verdade é um ato de coragem e responsabilidade, sendo fundamental promover uma cultura de escuta, prevenção e acesso democrático ao acompanhamento psicológico. A entrevista sublinha não só a visão da Mensana como um projeto clínico inovador, mas também o compromisso pessoal e profissional de Rita Marta com o desenvolvimento de uma sociedade mais consciente e saudável psicologicamente.

Antes de mais, e no sentido de contextualizar o nosso leitor, fale-nos um pouco do projeto Mensana - Mental Health Clinic, e quais são as principais valias que apresentam a quem vos procura no âmbito da saúde e do bem-estar?
A Mensana (do latim “Mens sana in corpore sano”) é uma clínica de saúde mental internacional, multidisciplinar e holística, que tem em conta que corpo e mente são inseparáveis, e que se procura adaptar a cada indivíduo, ao seu contexto e fase da vida. Em grupo, individualmente, em casal, para adultos, crianças e adolescentes, através da psicoterapia tradicional (“talking cure”) ou de terapias mediadas pela arte (musicoterapia ou arteterapia) ou pelo corpo e movimento (Psicodrama), abordamos a depressão, a ansiedade, fobias, adições, disforia de gênero, autismo e hiperatividade, entre outros.
Além disso, a Mensana procura responder às necessidades de uma comunidade internacional a crescer no nosso país, reunindo psicólogos e psiquiatras, fluentes em vários idiomas - português, inglês, francês, alemão, espanhol, polaco, italiano, russo, turco e hebraico – possibilitando ao paciente expressar-se na sua língua materna.

Um dos vossos lemas, é: “A Mensana - Clínica de Saúde Mental, através da sua abordagem, promove o olhar para dentro de si, procura um significado por detrás do sintoma, respondendo de forma diferente ao sofrimento mental”. Que olhar é este e de que forma é que essa realidade se traduz numa dinâmica positiva para o vosso paciente?
Vivemos numa época extremamente acelerada, tecnológica e digital, e na qual as pessoas estão à espera de respostas imediatas para os seus problemas. Quando se trata de sofrimento mental, sintomas depressivos ou ansiosos, ou mesmo adições, há uma tendência a recorrer a medicamentos.
Mas as questões ligadas à nossa psique não podem mudar de um dia para o outro, são o resultado de uma personalidade que se construiu ao longo de muitos anos (no caso dos adultos), e possui causas muitas vezes inconscientes.
O sintoma é a parte visível do problema, e uma intervenção dirigida a ele resolve aquele sintoma específico, mas depois o problema pode manifestar-se com outra expressão sintomática.
A abordagem terapêutica da Mensana insere-se no modelo psicodinâmico, que é uma forma de olhar e intervir que aborda o problema psicológico por detrás do sintoma, que tem em conta que existem motivações inconscientes nos comportamentos, que busca entender a maneira como o paciente construiu a sua realidade, as suas defesas - sempre ligadas à sua história de vida e à forma como a interpretou -, e que utiliza a relação terapêutica como ferramenta de transformação.

Que género de serviços/abordagens apresentam e como é que os mesmos têm tido sucesso junto daqueles que necessitam de um apoio em prol da melhoria do seu bem-estar?
A Mensana tem diversas abordagens terapêuticas, mas todas têm em comum esta base psicodinâmica, que é uma forma profunda de abordar o sofrimento da pessoa que nos procura, que não se dirige diretamente ao sintoma, como as terapêuticas medicamentosas e as psicoterapias comportamentais, mas procuram a causa subjacente aos mesmos para as transformar.
Esta abordagem é muito rica e ajuda as pessoas a estarem mais em contato consigo mesmas, a conhecerem-se melhor, e a transformarem padrões de funcionamento que foram fundamentais como forma de sobrevivência psíquica no passado, mas que agora estão desadaptadas e trazem sofrimento.
Os nossos serviços incluem: Psicanálise, Psicoterapia Psicodinâmica Individual, Psicoterapia Psicodinâmica de Grupo, Terapia Familiar e de Casal, Psicoterapia Infantil, Psicodrama, Arteterapia, Musicoterapia, fototerapia, Avaliação Psicológica, Psicomotricidade, Coaching Psicanalítico para Profissionais, Psiquiatria.

Quais são os principais fatores da vida moderna que contribuem para o aumento dos problemas de saúde mental?
Vivemos num mundo cada vez exigente e complexo, uma sociedade progressivamente mais veloz, competitiva e individualista e, mais recentemente, digital.
Vemos adolescentes em grande sofrimento, engolidos pelo mundo digital, que não sabem relacionar-se entre si, com dificuldade em estarem sós e a compreenderem o que se passa dentro deles. Ligam-se aos ecrãs e redes sociais, mas têm dificuldade de se ligarem a si e aos outros. Os estudos mostram como os adolescentes estão mais deprimidos e ansiosos (ataques de pânico), com adições várias, e nos últimos anos assistimos a jovens, sobretudo do sexo feminino, que se sentem mal com o seu corpo e acham que a solução está numa mudança de género, com recurso a hormonas e intervenções cirúrgicas.
Também as crianças estão mais ansiosas, com rituais obsessivos, e aumentam os problemas do desenvolvimento, como a Dislexia, Hiperatividade e Défice de atenção, os autismos.
Vivemos num mundo cada vez menos comunitário (também consequência da diminuição da família alargada) que tende a criar mais solidão e mais depressão. Os estudos mostram que muitas vezes não são as catástrofes coletivas (guerras, entre outros) que trazem o sofrimento psíquico, e que tantas vezes unem as pessoas numa causa comum, mas a solidão, a falta de relações sociais.
Mais recentemente, o crescimento exponencial da comunicação digital e das redes sociais, tem tido consequências importantes, em particular para os jovens, na interação social (nas redes sociais não há corpo, e não se aprende a gerir/negociar as relações, cortam-se as relações), na fragmentação do pensamento, e na linguagem - fundamental para a capacidade de pensar e representar-se a si mesmo.

De que maneira a pressão e a exigência do mercado de trabalho afetam a saúde mental dos trabalhadores portugueses? Sente que começa a existir uma mudança de mentalidade por parte dos líderes das empresas relativamente a estas questões?
Uma sociedade competitiva contribui para o crescimento dos problemas ligados à ansiedade – “será que vou conseguir? “Será que sou suficientemente bom”? Por outro lado, são valores que não criam espaço para a vulnerabilidade, para a incapacidade, contribuindo para sintomas como os ataques de pânico, que são situações extremas de ansiedade sentidas fisicamente porque a pessoa evita tomar consciência da vulnerabilidade que sente psiquicamente.
Sim, parece-me que é verdade que existe maior liberdade no trabalho, embora não sei se são os líderes que estão a mudar de mentalidade, ou antes os jovens que se recusam a ser escravos do trabalho, às vezes até demais...
Mas, apesar da maior tolerância no trabalho, continua a existir uma grande exigência e competição na sociedade, o que contribui para o mal-estar estar psicológico.

De que forma a falta de acesso a apoio psicológico e psiquiátrico no Sistema Nacional de Saúde em Portugal pode agravar problemas de saúde mental, e quais seriam possíveis soluções para melhorar essa realidade?
Os vinte anos em que trabalhei no SNS como psicóloga clínica, mostraram-me o imenso sofrimento mental que existe em muitas pessoas com fracos recursos económicos, consequência de carências afetivas e sociais profundas. Seria fundamental contratar mais psicólogos para o SNS, onde as necessidades são muitas e os profissionais poucos!  

É legítimo afirmar que a Saúde Mental ainda é o «parente pobre» da Saúde em Portugal?  
Talvez... Mas parece-me ser uma realidade que está a mudar, em particular desde a Pandemia, que teve a vantagem de chamar a atenção para estas questões. Além disso, o estigma relativamente a pedir ajuda tem vindo a diminuir. Atualmente tenho cada vez mais pacientes homens, quando há uns anos era tabu (um homem não chora...).

A terminar, qual a mensagem que lhe aprazaria deixar sobre este flagelo da saúde mental e que afeta tantas pessoas? O que podemos continuar a esperar para o futuro por parte da Mensana - Mental Health Clinic?
Apetece-me dizer que ser forte é não ter medo de se deixar vulnerabilizar, que é isso que nos torna humanos, e que entrar num processo psicoterapêutico é uma viagem muito rica que, além de nos tornar mais felizes, ajuda a crescer interiormente. Espero que a Mensana seja um espaço com tempo. Tempo para olhar para dentro, tempo para transformar o sofrimento, para o encontro do lado mais autêntico e para a realização do potencial único de cada pessoa.


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