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Mais do que Negócios: Liderar com Valores e Visão Humana


No dinâmico universo empresarial, onde a determinação e a visão estratégica moldam o sucesso, a voz feminina tem conquistado um espaço cada vez mais sólido e inspirador. Carla Pintéus, Despachante Oficial e Líder da CFP Consulting Group, é um exemplo marcante desse percurso. Com uma carreira construída sobre rigor, conhecimento e sensibilidade humana, Carla Pintéus representa a força das mulheres que têm vindo a redefinir o papel da liderança no mundo dos negócios.
Numa entrevista marcada pela lucidez e pela paixão pelo que faz, a nossa entrevistada partilha o seu trajeto até à liderança e reflete sobre os desafios e conquistas de uma mulher que, ao longo do tempo, aprendeu a equilibrar a exigência técnica com uma profunda consciência humana. “Enquanto líder, quero consolidar a CFP Consulting Group como uma referência em consultoria humanista, onde a estratégia empresarial anda de mãos dadas com o desenvolvimento humano”, afirma, deixando claro que o sucesso empresarial não se mede apenas em resultados financeiros, mas também na capacidade de inspirar, transformar e criar valor para as pessoas.
A sua visão vai além da gestão tradicional — propõe uma liderança centrada nas pessoas, no conhecimento partilhado e na construção de relações sustentáveis. A presença feminina no mundo dos negócios, como defende, não é apenas uma questão de representatividade, mas de contributo real para um novo paradigma de liderança: mais colaborativo, empático e orientado para o futuro.
Com a CFP Consulting Group, Carla Pintéus reforça a ideia de que a verdadeira liderança nasce da combinação entre competência e propósito — um equilíbrio que faz da sua trajetória uma inspiração para todas as mulheres que acreditam que é possível chegar ao topo sem abdicar da autenticidade e dos valores humanos.

Olhando para o seu percurso profissional desde os primeiros passos até à liderança da CFP Consulting Group, que fatores pessoais, culturais ou profissionais considera que foram determinantes para moldar a líder que é hoje, e de que forma esses momentos a inspiraram a quebrar barreiras num setor tradicionalmente masculino?
O meu percurso não foi linear, foi construído sobre experiências muito diferentes que me moldaram enquanto pessoa e me mostraram a importância de dois elementos cruciais em qualquer situação: a valorização das pessoas e do pensamento crítico. 
Trabalhar num hotel enquanto estudava ensinou-me a importância do serviço e da empatia; a Licenciatura em Filosofia deu-me a capacidade de questionar e refletir, a ânsia de encontrar sentido naquilo que fazemos; e os mais de 25 anos a ensinar mostraram-me o poder de inspirar e desenvolver talento. A Licenciatura em Ciências Empresariais, uniu essa visão humanista à gestão estratégica, o que me permitiu consolidar um percurso no mundo empresarial.
Chegar à liderança da CFP Consulting Group num setor tradicionalmente masculino foi, em parte, consequência dessa combinação: rigor, sensibilidade, estratégia e propósito. Sempre me vi como alguém que procurou abrir espaço para novas formas de liderança, mais inclusivas e colaborativas.
Os desafios foram muitos, mas cada um deles reforçou a minha convicção de que liderar não é impor, é inspirar. E se consegui quebrar barreiras, foi porque nunca abdiquei da autenticidade nem da crença de que o pensamento crítico e o respeito pelas pessoas são as bases para o sucesso de qualquer atividade.

Na sua opinião, quais foram os maiores desafios que enfrentou enquanto mulher à frente de uma empresa de consultoria e serviços como a CFP Consulting Group, e como transformou essas dificuldades em oportunidades de crescimento, tanto pessoal como organizacional?
O maior desafio foi, sem dúvida, o de equilibrar firmeza com empatia. Liderar num setor exigente implica uma visão estratégica, mas também humana. Muitas vezes, precisei de provar competência num ambiente onde a voz feminina ainda é recebida com resistência. Transformei essas dificuldades em oportunidades ao apostar em três pilares fundamentais: Cultura organizacional humanizada; formação contínua e o exemplo pessoal. Para mim, qualquer liderança implica coerência entre aquilo que se diz e o que se faz. Uma verdadeira liderança faz-se com carisma e pelo exemplo.
Esses desafios ajudaram-me a consolidar a CFP Consulting Group não apenas como uma empresa de consultoria, mas como um espaço de aprendizagem e transformação.

Considera que existe um “estilo de liderança feminino” distinto, e, se sim, quais competências ou abordagens que as mulheres tendem a trazer para a liderança podem ser vistas como diferenciais competitivos nas empresas atualmente?
Sim, acredito que há um estilo de liderança feminino, não exclusivo das mulheres, mas fortemente presente nelas. É uma liderança mais relacional, intuitiva e inclusiva, que valoriza o processo tanto quanto o resultado.
As mulheres têm uma capacidade natural de escuta ativa, empatia e leitura emocional do contexto, qualidades que são hoje diferenciais estratégicos nas organizações. Num mundo empresarial em transformação, essas competências tornam-se essenciais para construir equipas mais coesas, inovadoras e resilientes. Acredito que esse modelo de liderança, mais humano e consciente, não é apenas uma tendência, é o futuro das empresas.

Ao liderar equipas diversas e multidisciplinares, como equilibra a necessidade de resultados com a criação de uma cultura empresarial que incentive a confiança, a autonomia e a inovação, especialmente num contexto em que a presença feminina ainda está sub-representada em cargos de topo?
Penso que o segredo está em compreender que resultados e cultura não são opostos — são interdependentes. Uma equipa que confia na liderança entrega mais, inova mais e compromete-se mais.
Na CFP Consulting Group promovemos uma cultura de responsabilidade partilhada. Cada colaborador tem espaço para crescer, errar e aprender. Isso estimula a autonomia e, ao mesmo tempo, reforça o sentimento de pertença.
A presença feminina é ainda limitada em cargos de topo, mas acredito que o verdadeiro caminho é o da meritocracia sustentada por confiança, criar oportunidades para que as mulheres possam liderar sem precisar de se moldar a padrões pré-existentes.

Qual a importância de mentores e modelos de referência ao longo da sua carreira, e de que forma procura hoje ser uma mentora ou fonte de inspiração para outras mulheres que aspiram a posições de liderança e empreendedorismo?
Tive mentores que foram fundamentais, alguns foram meus professores, outros líderes, colegas e até clientes que, pelo exemplo, me ensinaram mais do que pelas palavras. Ajudaram-me a ver o que ainda não via e a desafiar os meus próprios limites. Hoje, acredito que mentorar é acender luzes em caminhos que pertencem ao outro, não impor direções.

Gerir múltiplas responsabilidades – como CEO, empreendedora e líder de equipa – exige uma gestão muito equilibrada do tempo e das prioridades. Que estratégias utiliza para manter esse equilíbrio, e que conselhos daria a mulheres que lutam para conciliar carreira, família e desenvolvimento pessoal?
Aprendi que o equilíbrio perfeito não existe. O que existe é a sabedoria de escolher o essencial. Durante anos tentei corresponder a todos os papéis: líder, mãe, profissional, amiga (…) até perceber que o mais importante é estar presente com qualidade, não com quantidade.
Atualmente, as minhas estratégias são simples: Clareza de propósito, ou seja, saber o que realmente importa em cada momento. Delegar com confiança, isto é, permitir que outros cresçam comigo, um bom líder é o que sabe delegar. E, não menos importante, cuidar de mim, porque ninguém conquista nem inspira se estiver esgotada.
Às mulheres que enfrentam este dilema, diria: não procurem a perfeição, procurem a coerência. Liderar e viver são, ambos, exercícios de escolha. E quando escolhemos com consciência, o equilíbrio torna-se uma consequência natural.

Considera que mulheres líderes têm um papel transformador não apenas nas empresas, mas na sociedade em geral? De que forma procura a CFP Consulting Group refletir valores de inclusão, diversidade e responsabilidade social em todas as suas práticas?
Sem dúvida. As mulheres líderes têm um papel profundamente transformador, não apenas porque ocupam espaços de decisão, mas porque trazem uma nova forma de estar no poder, baseada na cooperação, na escuta e na consciência ética. Quando uma mulher lidera, não muda apenas o rumo de uma empresa, muda a cultura ao seu redor.
Na CFP Consulting Group, procuramos refletir isso em todas as dimensões do trabalho: quer na forma como recrutamos e promovemos, valorizando a diversidade de perfis e percursos, quer na forma como decidimos, incorporando princípios de transparência e corresponsabilidade.
Acredito que a responsabilidade social começa dentro de casa, num ambiente que valoriza as pessoas antes dos resultados. Só assim o sucesso é verdadeiramente sustentável.

O mundo dos negócios muda rapidamente e a inovação é essencial. Como encara o desafio de inovar e se manter à frente do mercado, e que papel acredita que a liderança feminina pode desempenhar na promoção de soluções criativas e adaptáveis nas organizações?
A inovação, para mim, é menos sobre tecnologia e mais sobre mentalidade. É a capacidade de olhar para o habitual e perguntar: “E se fizéssemos diferente?”
Num contexto empresarial em constante transformação, o desafio é manter a curiosidade viva. E aqui, a liderança feminina tem um papel essencial, já que as mulheres tendem a conciliar razão com intuição, o que permite decisões mais completas e criativas.
Na CFP Consulting Group, promovemos a inovação através de uma cultura de experimentação e confiança: errar faz parte do processo de aprender. Incentivamos o pensamento crítico, a diversidade de perspetivas e a aprendizagem contínua, pilares que nos mantêm um passo à frente.
Acredito que a liderança feminina é uma força de inovação porque humaniza a mudança. Traz uma visão mais holística, que vê o progresso não apenas em números, mas em impacto.

Olhando para a sua carreira, que decisão difícil considera ter sido a mais valiosa em termos de aprendizagem e crescimento, e que conselho específico daria a mulheres que desejam seguir o mesmo caminho de liderança e empreendedorismo?
A decisão mais difícil, e talvez a mais valiosa, foi partir do ensino para o mundo empresarial. É preciso coragem e determinação para desafiarmos a estabilidade que conquistamos na vida. A verdade é que percebi que a essência era a mesma: ensinar e aprender. A diferença é que hoje não me limito a ensinar jovens na escola, ensino equipas, clientes e organizações a pensar de forma mais estratégica e consciente.
O meu conselho às mulheres que desejam empreender é simples: não esperem sentir-se prontas para começar. A prontidão nasce no caminho, não antes dele. Arrisquem, formem redes de apoio e nunca deixem que o medo de falhar as impeça de tentar. O fracasso, quando bem interpretado, é o melhor professor.

Ao olhar para o vindouro, quais são os desideratos mais importantes para si enquanto líder, e de que forma pretende continuar a inspirar e a empoderar mulheres a assumirem posições de destaque nos mais variados setores?
O futuro, para mim, é feito de continuidade e legado. Enquanto líder, quero consolidar a CFP Consulting Group como uma referência em consultoria humanista, onde a estratégia empresarial anda de mãos dadas com o desenvolvimento humano. Mas, acima de tudo, quero continuar a abrir portas para outras mulheres. Não acredito em lideranças isoladas; acredito em lideranças multiplicadoras. O meu maior desiderato é ver mais mulheres a liderar com confiança, sem pedir licença, mas também sem perder a essência. Porque quando uma mulher avança, a sociedade inteira avança com ela.

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