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“Tenho uma grande Paixão por mudar Vidas”

“Sinto-me muito orgulhosa por fazer parte do grupo de mulheres que ocupa um cargo de liderança”. Quem o afirma é Lia Faria, Nutricionista e Empresária, que, em entrevista à Business Voice, levantou um pouco do “véu” sobre a sua carreira e a sua enorme paixão por duas coisas: Nutrição e ser Mulher.

A Lia Faria é uma Nutricionista que assume uma grande paixão por mudar vidas das pessoas. No sentido de dar a conhecer um pouco mais do seu espaço ao nosso leitor, de que forma é que este desiderato, mudar vidas, tem sido concretizado e que balanço é que faz da sua e vossa atuação em prol da nutrição?
De facto, tenho uma grande paixão por mudar vidas. O meu trabalho e da minha equipa vai muito além da simples prescrição de planos alimentares. Considero extremamente importante conhecer a história de cada cliente, os seus desafios, patologias, necessidades e objetivos. Assim, mudar vidas não se resume apenas na alteração de hábitos alimentares, mas também no bem-estar físico e mudança de mentalidade de cada cliente.
O balanço da minha atuação e da minha equipa tem sido muito positivo! Já ajudamos milhares de pessoas a terem uma ótima relação com a comida e consigo mesmas. Além disso, muitos clientes conseguem manter resultados a longo prazo!
Este compromisso com a transformação de cada pessoa também me conduz à atualização constante, baseada em evidência científica, para que seja um trabalho de excelência.

Como é que o gosto e paixão pela Nutrição surgiu na vida de Lia Faria? Fale-nos um pouco do seu trajeto e dos momentos que considera serem mais simbólicos.
Na verdade, a escolha da minha profissão aconteceu de forma um pouco ao acaso. Sempre gostei muito da área da saúde, mas também tinha interesse por outras áreas. Quando era criança e adolescente cheguei a considerar ser professora de inglês. Com o tempo, porém, não me conseguia decidir sobre o caminho a seguir.
Inicialmente, entrei para o curso de Enfermagem, mas logo percebi que não me identificava e não me via como enfermeira no futuro. Por isso, tomei a decisão de não continuar o curso. Foi uma decisão difícil, com receio de “desiludir” os meus pais, mas nunca me arrependi, pois sabia que, se continuasse, não seria feliz.
Nesse mesmo ano tirei a carta de condução e até trabalhei numa confeção para ganhar algum dinheiro. Durante esse “gap year” questionei-me sobre qual área deveria seguir, com a certeza de que queria ingressar no ensino superior.
A minha mãe, sempre muito presente, dizia que adoraria ter uma filha nutricionista e, curiosamente, sempre fui fascinada por ler rótulos alimentares. Com o tempo, comecei a interiorizar cada vez mais a ideia de seguir a licenciatura em Ciências da Nutrição e a pesquisar sobre a mesma. Assim, candidatei-me e entrei. A partir desse momento, iniciou-se um progresso maravilhoso na minha vida, mas nem sempre foi fácil. Investi muitas horas de estudo e aprendizagem, mas sem dúvida que valeu a pena. Sinceramente, não me vejo noutra profissão. Adorei a licenciatura, adoro estudar Ciências da Nutrição e, acima de tudo, adoro ajudar pessoas!

Sendo uma aficionada pelo desenvolvimento pessoal, a Lia Faria especializou-se, em 2015, em NutriCoaching. Porquê esta aposta e de que forma é que isso permitiu fomentar melhores resultados aos seus utentes?
Desde aproximadamente 2006, sou apaixonada pelo desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Foi a minha professora de Português, no 10º ano, que me fez descobrir esta paixão, quando me emprestou vários livros sobre essa área. A partir daí, nunca mais parei de estudar o ser humano. Assim, de forma a aliar a nutrição ao desenvolvimento pessoal, decidi, em 2015, especializar-me em Nutricoaching, com a convicção de que a nutrição vai muito além da simples escolha de alimentos.
Ao integrar o NutriCoaching na prática clínica, passei a poder orientar os meus clientes na adoção de hábitos mais saudáveis e também a ajudá-los a superar crenças limitantes e bloqueios emocionais relacionados com a comida e com o seu corpo.
Assim, com o alinhamento entre a nutrição e o desenvolvimento pessoal, os utentes tornaram-se mais comprometidos com o processo. Além disso, gerou transformações muito mais significativas reais na vida das pessoas com quem trabalhei, com um impacto claro no seu mindset.

Analisando os tempos atuais, sente que hoje as pessoas olham para a nutrição e todos os quadrantes que rodeiam como algo necessário e importante para as suas vidas? Sente que esse impacto da Nutrição aumentou pelo facto de hoje e cada vez mais, darmos mais importância à imagem?
Sim, sem dúvida que hoje em dia as pessoas têm uma visão mais ampla e consciente sobre a nutrição e todos os aspetos que a envolvem. Sinto que nos tempos atuais, a nutrição deixou de ser vista apenas como uma questão estética ou de emagrecimento, e passou a ser reconhecida como um pilar fundamental para a saúde geral e o bem-estar. A informação sobre alimentação e saúde está mais acessível do que nunca, e as pessoas, em grande parte, começaram a perceber que a nutrição não é apenas sobre o corpo, mas também sobre a mente, a energia e a prevenção de doenças.
Acredito que a relação com a imagem ainda tem um impacto significativo na forma como a nutrição é vista, especialmente devido ao mundo digital e às redes sociais, onde a imagem corporal é constantemente destacada. Contudo, a comparação constante nas redes sociais pode ter o seu lado negativo. A pressão para nos encaixarmos em padrões de corpo perfeito ou de alimentação "ideal" pode ser muito prejudicial. Muitas vezes, o que vemos não é real, e isso gera uma pressão para alcançarmos algo que não é saudável nem sustentável e pode afetar a autoestima ou até levar a distúrbios alimentares.
Finalizo a afirmar que de facto o impacto da nutrição aumentou, e acredito que, com o tempo, as pessoas estão a tornar-se cada vez mais conscientes da importância de nutrir o corpo e a mente de forma integrada, com o foco não só na aparência, mas também na saúde e no bem-estar geral.
   
A Lia Faria é a líder deste projeto. Neste sentido, quais são as suas principais caraterísticas como líder e de que forma procura promover uma liderança inclusiva e coletiva?
Como líder deste projeto que já transformou a vida de milhares de pessoas, considero que as minhas principais características são a visão estratégica, a empatia e o compromisso com o desenvolvimento profissional e pessoal de todos os membros da equipa.
Destaco a capacidade de ouvir e compreender as necessidades de cada colaborador, além de prezar pela liberdade e autonomia de cada um. Acredito verdadeiramente que cada projeto tem muito mais sucesso quando todos se sentem valorizados e as suas ideias são ouvidas e discutidas. Estimo a comunicação aberta para enriquecer o trabalho coletivo. Cada membro da minha equipa é único, importante e especial.
Além disso, valorizo a aprendizagem contínua, e por isso as formações são frequentes, para que todos possamos evoluir em conjunto.

É percetível o aumento de Mulheres em cargos de liderança nos mais diversos setores. Como Mulher e exemplo deste facto, como vê o atual cenário relativamente à procura pela igualdade de género absoluta? Que desafios considera que ainda persistem neste caminho?
Sinto-me muito orgulhosa por fazer parte do grupo de mulheres que ocupa um cargo de liderança. Adoro ser esposa, dona de casa, mãe, cuidadora da minha família, mas o meu trabalho também me faz sentir muito feliz.
No que concerne à a igualdade de género absoluta, ainda está longe de ser uma realidade. As mulheres continuam a enfrentar desafios significativos, como a discriminação, a desigualdade salarial e a dificuldade em conciliar a vida profissional com a vida pessoal. É necessário garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades de crescimento, reconhecimento e desenvolvimento, sem que haja obstáculos adicionais simplesmente por serem mulheres.
É um caminho que exige paciência e persistência, mas estou convicta de que, passo a passo, conseguiremos ultrapassar os obstáculos que ainda existem e avançar para uma igualdade de género real e completa (pelo menos em alguns aspetos!).

Quais os principais desafios que as mulheres enfrentam ao assumir posições de liderança em empresas e como podem ser superados?
Os principais desafios que as mulheres enfrentam estão relacionados com os estereótipos de género, os preconceitos e ainda falta de apoio de elevação profissional.
Outro desafio significativo, na minha opinião, é o equilibrio entre a vida profissional e as responsabilidades familiares que se torna ainda mais exigente quando as mulheres têm filhos. Nesse sentido, acredito que as empresas deveriam fornecer maior flexibilidade. Além disso, é imprescindível eliminar qualquer forma de discriminação, garantindo que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens.
O ambiente que nos rodeia tem um impacto direto na nossa evolução, e por isso considero que as redes de apoio e colaboração entre mulheres podem ser uma grande ajuda para fortalecer a nossa voz e presença no ambiente de trabalho.
Por fim, a mudança de mentalidade nas empresas, aliada ao apoio contínuo a mulheres em posições de liderança, será fundamental para garantir que as mulheres ocupem e se destaquem nos cargos de topo com a confiança e liberdade que merecem.

A propósito do Dia Internacional da Mulher, que mensagem lhe aprazaria deixar a todas as Mulheres?
Que sigamos o nosso coração e aquilo que nos faz sentir felizes. Temos a capacidade de gerar, nutrir, criar e transformar o mundo ao nosso redor!
Que a nossa intuição apurada nos ajude a aumentar a nossa sabedoria interior e nos permita tomar decisões acertadas, mesmo quando o caminho não é necessariamente visível ou lógico.
Que a nossa empatia nos permita criar relações mais profundas e humanas, promovendo uma verdadeira conexão com os outros.
Que a nossa resiliência nos capacite a transformar desafios em oportunidades de crescimento e evolução.
Que a nossa sabedoria emocional nos permita compreender e conectar com os outros de uma forma genuína e profunda.
Que a nossa capacidade de flexibilidade e adaptação nos permita navegar pelas mudanças da vida com confiança, mantendo nossa essência intacta.
Que a nossa espiritualidade nos proporcione paz interior e força para seguir em frente.
Que a nossa generosidade, tão intrínseca à energia feminina, continue a manifestar-se no amor a nós mesmas e ao próximo, criando um ciclo de apoio e cuidado mútuo.

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