“As Pessoas são o bem mais Valioso que as empresas têm”
Numa conversa marcada pela autenticidade e visão humana da gestão de Pessoas, Margarida Filipe, HR Manager da Jungheinrich Portugal, reforça uma ideia essencial: o sucesso das empresas deve-se, acima de tudo, às pessoas. São elas que representam a organização, que lhe dão vida e identidade, e que, com dedicação e talento, constroem diariamente o seu caminho. Nesta entrevista à Business Voice, "mergulhamos" no papel estratégico dos Recursos Humanos, nos desafios atuais do setor e na importância de uma cultura corporativa centrada nas pessoas.
Na sua perspetiva, qual é o papel do Capital Humano no posicionamento e sucesso da Jungheinrich Portugal no mercado nacional?
As pessoas são o bem mais valioso que as empresas têm. O sucesso das empresas, na minha perspetiva, deve-se inteiramente às pessoas, pois são quem representa a empresa e que a caracterizam. Na Jungheinrich não é exceção, acreditamos que o nosso sucesso se deve ao trabalho que diariamente os nossos colaboradores executam. Cada um de nós, com a sua individualidade, conhecimento e talento, dentro da sua área/departamento, tem um papel muito importante para o nosso crescimento e sucesso.
De que forma a empresa valoriza e potencia o talento interno para alcançar os seus objetivos estratégicos?
A Jungheinrich aposta da formação continua dos seus colaboradores, de forma a potenciar sempre o melhor de cada um. No caso dos nossos Técnicos Eletromecânicos, por exemplo, iniciam o seu percurso connosco com uma formação inicial de aproximadamente 6 meses. As nossas formações são realizadas em Portugal, Espanha ou até mesmo na Alemanha, sempre com o intuito de aproveitar o conhecimento que temos internamente, criar sinergias e potenciar o conhecimento individual de cada colaborador. O mesmo acontece com as restantes funções. Sendo o talento essencial ao nosso crescimento e posicionamento no mercado, a Retenção do talento interno é a palavra de ordem na nossa organização.
Acredita que as pessoas são o maior ativo da empresa? Como é que a Jungheinrich Portugal traduz esse princípio em ações concretas?
Sim, sem dúvida. Acreditamos que desenvolver uma cultura de proximidade é extremamente importante para a promoção de uma maior satisfação e, por sua vez, de maior motivação e melhor desempenho. É essencial estar disponível para ouvir e envolver as pessoas nos processos do dia-a-dia, fazê-las sentir parte integrante da empresa. A Jungheinrich é uma empresa extremamente dinâmica, procura reinventar-se e adaptar-se sempre ao contexto atual em que vivemos. Recentemente, fizemos uma transformação cultural, com uma maior consciencialização da importância das pessoas, da liderança e dos princípios que norteiam a nossa relação enquanto equipa no dia-a-dia. Os nossos valores são orientados, para a forma como somos Abertos, Ativos, Eficientes e como Cuidamos uns dos outros, dos nosso clientes e do meio ambiente que nos rodeia.
Pode partilhar algumas iniciativas internas que reforcem essa visão centrada nas pessoas?
Algumas das medidas implementadas, passam pela criação de um Comité Interno da Felicidade, Responsabilidade Social e Sustentabilidade, composto por colaboradores, que tem como propósito criar momentos, iniciativas e projetos, nomeadamente, a criação do nosso programa de Well-being, que promovam a satisfação, felicidade e motivação dos nossos colaboradores. Também reforçamos o nosso Plano de Benefícios anualmente, criámos Planos de Carreira, de formação e desenvolvimento. Anualmente fazemos também um inquérito de satisfação – Great Place To Work, onde mais do que obter uma certificação, nos serve como ferramenta para ouvir as pessoas, sobre o que será para dar continuidade e o que poderá ser melhorado.
Num mercado cada vez mais competitivo, como tem sido o desafio de atrair talento qualificado para a Jungheinrich Portugal? Quais são os principais fatores que tornam a empresa atrativa para os profissionais?
Tem sido um desafio, mas ao mesmo tempo transformador. Encaramos como uma oportunidade para nos reinventarmos e adaptarmos ao máximo ao novo paradigma que o mercado de trabalho vive nos dias de hoje. Tentamos apostar cada vez mais numa política salarial justa, na formação, nos benefícios e oportunidades de desenvolvimento, seja em Portugal, em Espanha - país no qual temos atualmente sinergias em diversas áreas - ou em qualquer outro país do grupo. Somos uma empresa multinacional, e com esta necessidade de transformação, faz com que sejamos mais globais, criando também mais oportunidades de crescimento e desenvolvimento dentro do grupo.
Qual é o papel da liderança na construção de uma cultura organizacional positiva e alinhada com os objetivos de retenção e atração?
A liderança desempenha um papel fulcral na definição, promoção e sustentação de uma cultura organizacional que favoreça a atração e retenção de talento. Este impacto pode manifestar-se em diversos fatores, como na comunicação dos valores, criação de um ambiente de confiança, na adaptação às novas expectativas dos colaboradores, ou no desenvolvimento e reconhecimento do talento interno. Na Jungheinrich Portugal, vamos iniciar este ano um programa de Liderança, que irá envolver todos os líderes, e que visa precisamente capacitar e trabalhar todos estes fatores.
O que podemos esperar da Jungheinrich Portugal, em termos de evolução na gestão de pessoas, nos próximos anos? Que tendências considera decisivas para o futuro dos Recursos Humanos em Portugal?
A perspetiva para a Jungheinrich Portugal nos próximos anos, assenta em vários pontos. Por um lado, numa aposta cada vez maior na digitalização de processos, nas várias áreas de RH, promovendo uma maior eficiência e personalização. Por outro lado, dar continuidade e maior enfoque a temas que temos vindo a trabalhar, como a promoção do bem-estar e saúde mental dos nossos colaboradores, o desenvolvimento continuo de competências e o reforço da cultura de diversidade e inclusão. No fundo, estas são também, na minha perspetiva, as tendências para o futuro dos Recursos Humanos em Portugal. Acredito que a IA será cada vez mais utilizada para apoiar decisões estratégicas, desde o recrutamento à análise de clima organizacional, mas considero que as grandes transformações para o futuro estão nas pessoas. É necessário olhar para as nossas equipas e potenciarmos ao máximo o talento que temos, a darmos cada um peso cada vez maior à diversidade e inclusão, o que irá permitir soluções muito mais poderosas.