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“As Mulheres não têm de ter medo de liderar como Mulheres”

Sandra Marques de Vasconcelos, Founder & CEO da All in Data, em entrevista à Business Voice, abordou a edificação da All in Data, uma marca nova no mercado, mas que promete marcar a diferença como uma agência digital data-driven, e construir um processo de aprendizagem contínua, alimentado por dados que nos mostram como otimizar as ações. Além de Empresária, Líder e Empreendedora, fique também a conhecer a Mulher e Mãe.  

A All in Data é uma marca recente. Fale-nos um pouco das valias e potencialidades deste projeto e de que forma é vem aportar um sentido diferenciador ao mercado e aos vossos clientes.
A All in Data é uma cara nova no mercado, mas num corpo já antigo. A evolução do marketing levou a que fizesse sentido apostar numa marca única, direcionada para a análise e performance – o data. É uma área em crescimento tão acelerado e de tamanha abrangência que nos levou a criar o conceito de Agência de Dados, que traz a tecnologia e o digital para que se deixe de pensar no marketing como achismo e se comece a tomar decisões mais informadas, mesmo sem prejudicar a estética e a intuição. Na All in Data temos a capacidade de trabalhar o marketing, como uma agência digital, e construir um processo de aprendizagem contínua, o intelligence, alimentado por dados que nos mostram como otimizar as ações.

Quem é Sandra Marques de Vasconcelos, e porquê esta aposta num projeto próprio como a All in Data? O que a levou a tomar esta decisão e quais são as suas expetativas para o mesmo?
Sou casada e mãe de dois filhos. Foram estas as razões para avançar com um projeto próprio – a família. Ser mãe mudou a forma como me sinto e como me vejo. Dou mais importância a quem sou, a quem posso ser e a quem quero que os outros vejam. Não sei se sou melhor, mas sinto-me mais relevante e com outra responsabilidade. Por isso fez sentido sair do conforto e apostar no que acredito, passar essa mensagem de esperança. E acredito pela expectativa de futuro, por sentir que é na análise de dados, na decisão informada, na tecnologia, em dotar o mercado de mais know how, que está o futuro. É também por esta via que podemos mostrar às nossas empresas oportunidades de escalabilidade e monetização, aumentar a produtividade, como tantas vezes se fala. Na All in Data quereremos crescer, sim, mas com o crescimento e competitividade dos outros!

Quais são os marcos mais simbólicos do seu percurso profissional e quais foram os principais desafios que, ao longo do seu trajeto, teve de enfrentar?
O que assinalo de mais relevante na minha carreira foram os onze anos em que estive na QSP. Felizmente, tive oportunidade de liderar grandes estudos, de marcas com muita notoriedade, e fazer algumas apresentações públicas de relevo, mas o que guardo como marco é a equipa que construímos. Sei que tive um papel fundamental na formação de muitos quadros e na criação de equipas que procuram sempre exceder-se.
O principal desafio diria que foi libertar-me da âncora de trabalhar por conta de outrem e agarrar-me a uma ideia, que é incerta e cheia de “nãos”. Mas tem valido a pena e o sabor do sucesso é mais apurado.

Abordando a vertente do Dia Internacional da Mulher, que se comemora no dia 8 de março, quão importante é para si esta efeméride e como analisa, nos dias de hoje, a presença de cada vez mais Mulheres em posições de liderança?
O meu sonho é que um dia não seja necessário festejar este dia. Mas, ainda é, o que significa que ainda há um caminho longo a percorrer para a equidade e justiça de género. Os números mostram melhorias, comprovam que nos estamos a aproximar e todos ganhamos com isso. Contudo, o caminho é longo e pedregoso. E estamos tão habituadas a pisar essas pedras que já nos habituamos, nem valorizamos pequenos detalhes da discriminação.

Apesar de estarmos no bom caminho nessa perspetiva da igualdade de oportunidades, sente que ainda é necessário fazer mais para que haja um maior equilíbrio?
Sim, assim o mostram as estatísticas. Segundo os últimos dados do Fórum Económico Mundial, em Portugal, as mulheres ganham menos cerca de 20% do que os homens, para desempenhar as mesmas funções; e, apesar de sermos cada vez mais em cargos de topo (ainda assim não chegamos a ser 15%) nestas posições a diferença salarial é ainda maior. E há outros pormenores, por exemplo, as estatísticas apontam que quando as mulheres têm o primeiro filho, a carreira estagna durante muito tempo, em salário e progressão. Claro que a incapacidade para o trabalho da mãe é mais prolongada, mas o gap aumenta por todas as condicionantes percecionadas na maternidade, como é o caso de se antecipar sempre a mãe se ausentará mais vezes para assistência aos filhos.

Qual deverá ser o papel da Mulher para que esse gap seja diminuído?
O peso da história é muito grande nesta questão. Temos um trajeto de emancipação recente, se calhar mais efetivo apenas nos últimos 100 anos. Acho importante que se dê visibilidade e se enalteçam os sucessos das mulheres. Que as mulheres se aplaudam, se elogiem, se contagiem. Acho que se deve estudar e discutir com números concretos sobre a realidade. Não cair em fundamentalismos ou narrativas populistas que só descredibilizam.  Eu não gosto particularmente da ideia de discriminação positiva, como é exemplo a aplicação de quotas, embora por vezes seja necessário forçar até normalizar, antes de ser reconhecido o mérito.

Como é que a diversidade de género pode impactar positivamente a liderança de projetos e empresas, tanto em termos de resultados quanto de cultura organizacional?
Homens e mulheres são diferentes. Quantos mais cérebros e corações diferentes tivermos nas nossas empresas, mais ideias, perceções e perspetivas teremos. Se todos forem iguais, influenciados ou amestrados, a visão afunila. Para pensar igual a mim, basto eu; é muito mais interessante ter ao meu lado quem tenha uma sensibilidade e pensamento diferentes.

Acredita que existe uma liderança feminina ou masculina, ou a liderança não tem género e aquela que se pode considerar positiva e agregadora de valor passa simplesmente pela capacidade de liderança da própria pessoa, independentemente de ser homem ou mulher?
Eu acredito que há diferenças e que o valor está precisamente aí. Por vezes, fruto da desconfiança que o peso histórico traz, as mulheres que chegam a cargos de liderança tendem a fazer sobressair características que reconhecemos aos homens. Pode ser apenas uma ideia percecionada, um estereótipo que se criou, o de a mulher com poder confundir assertividade e postura firme, com arrogância e postura imperativa ou impositiva. As mulheres não têm de ter medo de liderar como mulheres, com intuição e sensibilidade apuradas. Pelo contrário, temos qualidades que puxam pela motivação e o envolvimento das equipas e elevam os resultados para outros patamares.

O que podemos esperar de Si e da All in Data para 2025? Quais são os desafios e os projetos a serem colocados em prática?
Podem esperar inovação, projetos a pensar no futuro, como a forte aposta em inteligência artificial e marketing focado no retorno. Particularmente, posso nomear um projeto que temos com uma nova marca e que nos está a entusiasmar muito. Estamos a trabalhar desde o chão de fábrica ao pós-venda, a implementar tecnologias integradas e geradoras de dados, para um controlo total com informação em tempo real e intelligence. Paralelalemte, fizemos um projeto de customer journey em que foram definidos todos os touchpoints e meios para impactar o consumidor. No dashboard de vendas está ainda previsto uma secção para monitorização da concorrência, com métricas sobre preços, campanhas e performance digital dos demais players. Daqui teremos mais dados para ir melhorando e otimizando os recursos ao longo do tempo, no fundo, ir colocando as fichas no que traz, com evidência, mais resultados.

Que mensagem lhe aprazaria deixar a todas as Mulheres e que, diariamente, vivem e convivem com diversos desafios e dificuldades simplesmente porque são Mulheres?
Não é fácil. Estamos a ser as protagonistas dos livros de história dos nossos netos, como foi a primeira mulher que votou ou a primeira mulher que ousou vestir calças. E ainda só estamos a começar, precisamos de tempo e de nunca perder a inquietação. Os homens levam mais séculos disto (risos).

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