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“Vejo com satisfação a crescente presença Feminina na Advocacia”


A verdadeira liderança não se mede apenas pelos obstáculos que se conseguem ultrapassar, mas também pelos princípios que permanecem intactos ao longo do caminho. Na advocacia, onde cada decisão pode transformar vidas, proteger direitos e abrir portas para novos começos, liderar é muito mais do que dominar a lei: é saber escutar, compreender e encontrar soluções com rigor, estratégia e humanidade.
À frente da DoPrado Advogados, a Advogada e Fundadora Grazziely Prado tem construído um percurso pautado pela proximidade, pela transparência e pelo compromisso com cada cliente. Com intervenção nas áreas da imigração, do Direito Empresarial, Fiscal e do Consumidor, acompanha pessoas, famílias e empreendedores num universo jurídico que exige conhecimento, clareza e capacidade de adaptação.
Num setor onde afirmar uma visão própria implica, tantas vezes, desafiar expectativas e conquistar espaço, Grazziely Prado representa uma liderança que alia determinação à autenticidade, sem abdicar da identidade que dá sentido ao seu trabalho.
Em entrevista à Business Voice, partilha a sua visão sobre os desafios de ser mulher e líder na advocacia, a importância de humanizar o Direito e a convicção de que é possível quebrar barreiras sem perder aquilo que nos define.

Com 15 anos de experiência na Advocacia, atravessou diferentes fases de transformação da profissão e do próprio setor jurídico. Que balanço faz deste percurso e das experiências que mais contribuíram para construir a profissional que é hoje?
Ao olhar para estes 15 anos de Advocacia, vejo um percurso de constante evolução, marcado por desafios, aprendizagens e pela oportunidade de exercer a profissão em dois países. Foram quase sete anos no Brasil e os restantes em Portugal, experiências que me permitiram conhecer diferentes realidades jurídicas, culturais e sociais, ampliando a minha visão sobre o Direito e, sobretudo, sobre as pessoas. 
A minha ligação ao empreendedorismo, contudo, começou muito antes da Advocacia. Desde o início da faculdade, trabalhei na empresa familiar com o meu pai, um exímio administrador, com quem aprendi princípios de gestão, organização e visão estratégica que continuam a orientar as minhas decisões. 
Por isso, sempre idealizei o meu escritório como uma estrutura com uma verdadeira organização empresarial, capaz de crescer de forma sustentável, sem comprometer a independência, a ética e o rigor que a deontologia profissional exige. A experiência ensinou-me que o conhecimento jurídico é indispensável, mas não é suficiente. É igualmente necessário compreender as necessidades de quem nos procura, saber adaptar-nos às mudanças e ter sensibilidade para perceber que, por detrás de cada processo, existem pessoas, famílias e projetos de vida. Hoje, faço um balanço muito positivo deste percurso. Acredito que a tradição e a inovação podem caminhar juntas e que o futuro da Advocacia passa precisamente por essa capacidade de conciliar excelência técnica, visão estratégica e proximidade humana.

A presença feminina na Advocacia tem vindo a crescer e as mulheres assumem atualmente um papel cada vez mais relevante em diferentes áreas do Direito. Como vê a evolução do papel da Mulher na Advocacia e no sistema jurídico ao longo dos últimos anos?
Vejo com satisfação a crescente presença feminina na Advocacia e, sobretudo, a consolidação das mulheres em posições de liderança e decisão. Acredito que esta evolução representa não apenas uma conquista para as mulheres, mas também um enriquecimento para a própria profissão. 
Pessoalmente, nunca senti necessidade de provar a minha competência por ser mulher. Sempre encarei a Advocacia como uma profissão em que o conhecimento, a preparação e a postura profissional devem prevalecer sobre qualquer distinção de género. Acredito que cada caso exige um olhar individualizado, uma estratégia própria e a sensibilidade necessária para compreender as circunstâncias de quem nos procura. É essa capacidade de 
aliar rigor técnico, inteligência estratégica e compreensão humana que, na minha perspetiva, verdadeiramente distingue um bom profissional. 
Mais do que uma Advocacia feminina ou masculina, gostaria de ver uma Advocacia cada vez mais preparada, ética e humanizada, na qual homens e mulheres encontrem oportunidades de crescimento e reconhecimento pelo valor do trabalho que desenvolvem.

Apesar da crescente presença feminina nas profissões jurídicas, continuam a existir desafios relacionados com reconhecimento, progressão profissional, liderança e conciliação entre diferentes dimensões da vida. Qual considera ser hoje o principal desafio que uma mulher enfrenta para construir uma carreira de sucesso na Advocacia?
Acredito que um dos maiores desafios da mulher contemporânea, especialmente nas profissões mais exigentes, é compreender que o sucesso profissional não precisa de acontecer à custa da realização pessoal. Durante muito tempo, consolidou-se a ideia de que, para alcançar posições de destaque, seria necessário abdicar de outras dimensões da vida. Não partilho dessa visão. Sou advogada, empresária, esposa e mãe, e não acredito que estas dimensões devam competir entre si. Pelo contrário, fazem parte de quem sou. Naturalmente, conciliar responsabilidades exige organização, disciplina e, sobretudo, capacidade de estabelecer prioridades. Mas também exige uma mudança de mentalidade: perceber que liderar não significa centralizar tudo, e que delegar não é perder o controlo, mas criar condições para crescer. 
Na minha perspetiva, uma carreira de sucesso não se mede apenas pelo reconhecimento profissional ou pelos resultados financeiros, mas também pela liberdade de fazer escolhas, pela qualidade das relações que cultivamos e pela possibilidade de viver aquilo que construímos. O verdadeiro desafio, portanto, talvez não seja provar que uma mulher consegue fazer tudo, mas compreender que não precisa de fazer tudo sozinha para alcançar os seus objetivos.

Fundar a DoPrado Advogados representou certamente uma etapa importante no seu percurso profissional, colocando-a também perante os desafios de gerir uma estrutura, construir uma identidade e assumir uma posição de liderança. O que significa para si ser simultaneamente advogada, empreendedora e fundadora de um projeto próprio na área jurídica?
Sendo filha de um empreendedor, sempre encarei a minha carreira profissional como um projeto próprio. Desde a faculdade, procurei investir intensamente na minha formação e aproveitar todas as oportunidades de experiência prática, porque sabia o caminho que pretendia seguir. 
Nunca idealizei construir a minha carreira no escritório de terceiros. Por isso, fundar o meu próprio escritório foi uma consequência natural da conclusão do curso e da obtenção da minha inscrição profissional. O empreendedorismo nunca surgiu como uma necessidade posterior, mas como parte da minha identidade. Um fator fundamental para o crescimento progressivo do escritório foi também a rede de relações que construí naturalmente ao longo da vida. Familiares, amigos, pessoas que conheci através da empresa do meu pai e, posteriormente, as indicações dos meus primeiros clientes tiveram um papel importante nesse percurso. Aprendi, na prática, que a confiança se constrói através das relações, mas se consolida com a responsabilidade e a qualidade do trabalho desenvolvido. 
Hoje, com a experiência adquirida, não vejo a multiplicidade de funções como um obstáculo. Acredito que ser advogada, empreendedora e líder são dimensões que se complementam. Uma carreira profissional também exige fundamentos sólidos de gestão, organização e estratégia, sempre respeitando a independência e as exigências deontológicas da Advocacia. Ser fundadora da DoPrado Advogados representa a realização de um projeto que cresceu comigo. É essa conjugação entre o exercício do Direito, a gestão empresarial e as relações humanas que torna o meu percurso tão gratificante.

A sua atuação em áreas como Imigração, Direito Empresarial, Direito Fiscal e Direito do Consumidor coloca-a perante realidades e necessidades muito diferentes. O que considera essencial para que a intervenção de um advogado vá além do conhecimento técnico e consiga efetivamente criar valor e segurança para quem procura apoio jurídico?
Acredito que o conhecimento técnico é indispensável, mas o verdadeiro valor da Advocacia está na capacidade de transformar esse conhecimento em soluções adequadas à realidade de cada cliente. Vivemos numa sociedade em que a informação circula rapidamente e, muitas vezes, as pessoas chegam ao escritório com uma solução previamente idealizada, seja porque viram algo nas 
redes sociais ou porque conhecem alguém que passou por uma situação aparentemente semelhante. No entanto, aquilo que funcionou para uma pessoa pode não ser o caminho mais adequado para outra. 
É precisamente aqui que considero fundamental o papel do advogado: ouvir, compreender todas as circunstâncias, avaliar as possibilidades e os riscos e definir uma estratégia jurídica individualizada, orientada para a melhor defesa dos direitos e interesses do cliente. Para mim, exercer a Advocacia não é simplesmente executar aquilo que nos é solicitado, mas ter a responsabilidade de orientar, esclarecer e, quando necessário, apresentar caminhos diferentes daqueles que o cliente inicialmente imaginava. A verdadeira segurança jurídica nasce dessa conjugação entre conhecimento, análise estratégica, transparência e sensibilidade humana. É isso que procuro oferecer em cada intervenção profissional.

Num contexto em que a Advocacia está a ser transformada pela tecnologia, pela inteligência artificial e por uma sociedade cada vez mais exigente e informada, que futuro gostaria de ver para a profissão e para as mulheres que pretendem assumir posições de maior responsabilidade no Direito?
Vejo a tecnologia e a inteligência artificial como aliadas: permitem organizar, agilizar e melhorar processos, libertando tempo para o que exige atenção humana. Mas nenhuma ferramenta dispensa o pensamento crítico, a supervisão e a responsabilidade do advogado. Tal como na liderança, é preciso saber delegar sem abdicar do comando. Procuro aproveitar os recursos que tornem o meu trabalho mais eficiente e o acompanhamento dos clientes mais próximo. Para o futuro, desejo uma Advocacia moderna, ética e humana. E espero que cada vez mais mulheres se sintam capazes de liderar, assumir responsabilidades e iniciar os seus projetos, sem acreditar que a ambição exige renunciar à qualidade de vida. O progresso também está na liberdade de construir uma carreira e viver plenamente aquilo que escolhemos.


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