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Liderar com Presença: entre o que se diz e o que se vibra


Qual foi a melhor experiência profissional que já teve? E qual o momento em que sentiu que podia ser inteiro(a) no local de trabalho? Ter (a nossa) voz no contexto corporativo, errar ou nem sempre acertar, dizer “não sei”, não podem ser comportamentos de risco nas empresas. Se o forem, alimentamos uma cultura de conformismo e não de compromisso. 

Amy Edmondson, referência incontornável no tema da segurança psicológica, lembra-nos que “safety is about intent, not content”. A segurança psicológica constrói-se na intenção de escutar, de acolher, não de julgar. É um compromisso silencioso que diz: “Aqui podes ser quem és e como és.”
Provavelmente uma das variáveis que concorreu para a sua resposta à pergunta inicial, incluiu a lembrança e presença de um líder que ia tão para além do “título” corporativo atribuído, e que se expandia na humanidade da pessoa que era. Que não dizia “a porta do meu gabinete está sempre aberta”, mas que estava onde as pessoas estão, onde a operação pulsa, onde os desafios ganham vida. Que conhecia os nomes, os medos e as aspirações de cada um. Alguém que mais do que estar disponível, estava realmente presente!
A liderança que eleva os outros exige pois, também, uma atenção genuína à diversidade. Não porque “fica bem”, mas porque representa uma valorização real de múltiplas vozes, identidades e experiências que integram uma equipa. Diversidade é potência, é inovação, é a capacidade de ver o mundo através de diferentes lentes e ângulos. O mundo dos outros é deles, e só temos o privilégio de o experienciar e aprender com ele se os tivermos por perto, connosco. Líderes que reconhecem e promovem ambientes inclusivos criam chão sólido para os nossos saltos de Fé. E é nesse voo que inspiramos (ou nos inspiram a nós!) a também ousar mais alto.
A liderança ressonante é aquela vibra na equipa e que vibra com a equipa. A nossa equipa pode fazer muito por nós, só não pode fazer a nossa parte.
Da minha experiência como consultora, escutei muitas vezes as expressões tão banais que retiram qualquer estímulo inspiracional às equipas quando não acompanhadas com a prática no terreno:  “aqui valorizamos o feedback ( e na verdade, as entrelinhas diziam: desde que não desafie a forma como fazemos as coisas); “sai da tua zona de conforto (esta confesso que me irrita) e pede-se isto mas depois não se acompanha com segurança para arriscar e apoio na falha; “queremos que sejas autêntico(a)”, desde que não inventes muito pois temos regras. E, se ainda assim arriscarmos, escutamos nos bastidores “ah, ele(a) é uma pessoa especial” (e não sei porquê, nunca é num tom elogioso…). E o que dizer daquelas pessoas que nos dizem: “eu sou muito frontal e quem me conhece já sabe disso!”. Penso: “és só malcriado(a).” A honestidade não precisa ferir. Pode ser firme, sim, sem ser agressiva e, ser clara sem deixar o interlocutor com as peças da sua autoestima e essência, espalhadas pelo chão. A liderança exige essa maturidade emocional, para desconstruir as pessoas, mas sempre, mantendo-as intactas.
Precisamos SER muito, como Líderes e, antes disso, muito como Pessoas. Nesta minha jornada profissional, tão bom ter encontrado líderes que não precisaram de frases feitas para envolver ou acolher. Revelavam sim uma expressão de liderança tão forte, ressonante, insightful e com uma marca humana e profissional, muito para além dos livros de desenvolvimento pessoal. Que sabem, nitidamente, que a produtividade nasce mais da pertença e menos da pressão.
E, quando temos a sorte de nos cruzar com elas, sentimos logo o ímpeto de as acompanhar. Acreditam na missão que têm em mãos, acolhem o feedback com a genuína vontade de evoluir e pulverizam com a sua presença e ação, uma vontade crescente de quem está à sua volta (eu incluída) de fazer parte, de estar a bordo, de pertencer!
E fico sempre um pouco mais a refletir, sobre o que terão também estes líderes notáveis que ficam em nós e nos recordamos sempre deles? Têm, a meu ver, a “audácia” de viverem a sua autenticidade, e que só emana naqueles que respiram a sua história pessoal, de vida e a manifestam. Sem a nossa história (qualquer ela seja), somos pouco. Quando um líder partilha a sua narrativa, cria conexão e autenticidade. Michelle Obama disse: “a tua história é o que tens, o que terás sempre. É algo que te pertence e que deves honrar”. E acrescento, talvez seja tempo de deixá-la na assinatura da nossa gestão de pessoas, assim como dar também muita atenção e genuína curiosidade, às histórias que cada elemento da equipa transporta consigo. 
Penso agora, que talvez o verdadeiro desafio da liderança não seja apenas inspirar, mas sustentar o espaço onde cada pessoa possa existir por inteiro e com verdadeiro sentido de pertença. Porque no final do dia, não é sobre o que dizemos nas reuniões ou nos encontros de empresas, jantares de Natal ou nos teambuildings, mas sobre o que ecoa em cada um, quando nos ausentamos e que permanece em todos como combustível e bússola para a jornada.
Regressando ao início: a melhor experiência profissional? Talvez tenha sido aquela em que alguém reparou em nós, nos escutou, e nos deixou Ser. E talvez seja isso que define uma liderança com presença: a capacidade de fazer com que os outros se sintam inteiros, mesmo quando tudo à volta insiste em versões mais reduzidas ou editadas de nós.


Sónia Sousa
Partner Legacy Consulting
www.legacyconsulting.com.pt







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