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“Para se ser uma Mulher de Sucesso não é preciso resistir, mas sim Transformar”

Durante muito tempo, o conceito de sucesso feminino foi sinónimo de superação e resistência. Resistir às expectativas sociais, às pressões internas e externas, às comparações, à necessidade de conciliar demasiados papéis. Mulher, mãe, profissional e companheira. Este paradigma foi durante décadas o retrato de muitas mulheres que, apesar das adversidades, conseguiram afirmar-se. Hoje, felizmente, o sucesso tem novos contornos. Para se ser uma mulher de sucesso não é preciso resistir, mas sim transformar. Desafiar o status quo com inteligência emocional, presença e intenção. É repensar moldes ultrapassados e redesenhar a forma como se lidera. Será sempre um caminho que exige coragem, mas também consciência.

Como mulher e como líder, aprendi a importância de fazer mais com menos, mas também a saber quando parar. Aprendi que ouvir é muitas vezes mais importante do que falar. Inclusive, quando o tempo de eu ocupar determinado espaço chegou, percebi que inovar era também, uma oportunidade de encontrar equilíbrio, sem sacrificar a saúde mental e emocional.  A verdade é que, atualmente liderar implica reconhecer que o bem-estar emocional, pessoal e das equipas, é central quando se fala de inovação e produtividade. Não há criatividade nem resiliência num corpo esgotado e ignorar esta realidade é arriscar não só a saúde das pessoas, mas também a sustentabilidade das empresas. A produtividade não pode continuar a ser medida apenas em entregas ou KPIs. Deve incluir a qualidade das relações, o respeito pelos diferentes ritmos e a valorização do tempo em familia e do descanso.
Falar de liderança sem falar de saúde mental é ignorar metade de uma equação. A saúde mental não é um luxo, é um pilar na vida de qualquer individuo. Um pilar urgente. E, felizmente, começamos a reconhecer isso enquanto sociedade. O que antes era um tabu, hoje é ou deve ser uma prioridade. Isto porque, não há performance onde há exaustão. Não há inovação onde há medo. E porque equipas emocionalmente frágeis não constroem um futuro consistente. Não há equipas saudáveis quando se normalizam estados emocionais fragilizados que muitas vezes resultam em burnout. Na Ciphra, um dos valores centrais que procuramos cultivar é o cuidado por quem cuida. Criar ambientes seguros, onde cada pessoa se sinta valorizada, ouvida e respeitada, é um compromisso diário. A empatia não pode ser apenas um conceito bonito dentro dos valores institucionais. Tem de ser praticada. Tem de ser visível, nas lideranças e na cultura de qualquer empresa. Só assim é que conseguimos construir organizações verdadeiramente humanas.
Ser líder também significa ser um exemplo na forma como se comunica e se influencia. A presença digital já não é opcional é uma extensão da nossa forma de estar no mundo. No meu caso, a visibilidade no digital é uma responsabilidade. É onde estão as pessoas, os nossos clientes, colaboradores, parceiros, e também quem se inspira no que fazemos. É estar com intenção. É saber o que se quer dizer, a quem e com que impacto. Esta presença, quando bem gerida, gera um prolongamento da nossa forma de estar, liderar e influenciar pessoas. A chave para constuir essa confiança com o público/cliente é uma das maiores vantagens de qualquer líder, negócio ou organização. É através de uma escuta activa e desta presença coerente que se consolida uma reputação credível. É realmente o ponto mais determinante numa economia relacional como a que vivemos. Por isso sim, na Ciphra acreditamos que a presença digital deve refletir os valores da marca, mas também o carácter de quem a lidera. Isso só se constrói com coerência, intenção e consistência. Não se trata de estar por estar ou porque todos os outros estão, trata-se de saber como, quando e porque é que se está. 
Num tempo de excessivo ruído, liderar no digital deve ser uma bússola, não eco. E essa capacidade só se alcança com visão. Uma visão que vai para além do imediato, que pensa no impacto a médio e longo prazo. Porque é essa visão que abre espaço à verdadeira inovação. Quando somos capazes de estar verdadeiramente atentos ao que nos rodeia, às pessoas, às tendências, aos sinais do mercado abrimos espaço para pensar diferente e melhor, criando impacto na vida das pessoas. 
Inovar não é apenas introduzir algo novo, é muitas vezes, desaprender. Rever hábitos, questionar certezas, olhar para o que sempre fizemos com a coragem de mudar. Para mim, inovação não é tecnologia por si só, é mentalidade. É a capacidade de manter o pensamento curioso e atento. E sobretudo, é agir com propósito. Na Ciphra, inovação começa nas pessoas. Na diversidade de perspectivas. Nas ideias, nas dúvidas, nas diferentes formas pensar. A diversidade de pensamento é a nossa maior fonte de inovação. Quando se criam ambientes seguros, onde ninguém tem medo propor algo diferente, a inovação acontece com naturalidade. Quando se retira a pressão do erro e se substitui por uma cultura de aprendizagem, tudo muda. A criatividade deixa de ser exceção e passa a ser parte do ADN. Inovar também é saber parar. Respirar. Observar. A urgência constante nem sempre é sinal de progresso nem de condução à melhor decisão. Muitas vezes, é no parar no silêncio que surge a ideia certa, a solução mais simples ou o caminho mais reto. Acredito profundamente que uma liderança inovadora é aquela que sabe que nem tudo precisa de ser disruptivo, mas tudo deve ser intencional.
No fundo, inovar é imaginar um futuro diferente e para o imaginar de forma sustentável, é necessário fazê-lo de forma humana. 
Um futuro que não seja só eficiente, mas também justo. Que não se limite a gerar resultados, mas que crie valor real, relacional e social.  As mulheres de sucesso que conheço, são aquelas que inspiram através da autenticidade. Que não reporduzem modelos, mas que guiam os seus próprios passos. Que lideram com firmeza, mas também com uma escuta ativa. O mundo precisa de mais líderes assim, que saibam equilibrar estratégia e sensibilidade. Que compreendam que cuidar não é sinal de fraqueza, mas de inteligência. Que vejam o valor nas pessoas. Que construam não só empresas de sucesso, mas também comunidades saudáveis. É essa a liderança que procuro todos os dias, é esse o sucesso que me inspira: um sucesso que transforma, que inclui e que cuida no trato. A questão é que esta não é uma missão que se cumpra sozinha. É feita em rede. É feita com outras mulheres e com homens que reconhecem que a equidade não é uma ameaça, mas uma oportunidade. Uma oportunidade de ampliar perspectivas, de facilitar decisões, de construir soluções mais completas e sustentáveis. Continuamos a precisar de mais vozes femininas nas mesas de decisão, não por estatística, mas porque a diversidade de pensamento é, em si mesma, uma vantagem competitiva. Onde há pluralidade, há representatividade, há progresso. Porque quando lideramos com propósito, inspiramos outros a fazer o mesmo. Criamos um ciclo, em que o impacto se multiplica muito para além do nosso lugar ou função.
É neste equilíbrio entre estratégia e sensibilidade que encontramos espaço para transformar negócios, equipas e realidades. No fundo, isto é criar o futuro. Para o fazer de forma sustentável, precisamos de o imaginar de forma humana. Porque o verdadeiro progresso é aquele que inclui valor, constrói pontes, amplia vozes e inspira pessoas.

Maria João de Figueiredo, CEO da Ciphra

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