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“Acreditem em Vocês, mesmo quando mais ninguém acredita”


Num universo empresarial que continua a reescrever-se todos os dias, há vozes que não apenas se fazem ouvir — impõem presença. Verónica Figueiredo, Sócia-Gerente da Protect First – Consultoria, Unipessoal Lda., é uma delas. Na mais recente edição da Business Voice, conduz-nos por um território onde a liderança no feminino deixa de ser exceção e passa a ser força transformadora. Com uma visão assertiva e profundamente humana, Verónica Figueiredo revela como as mulheres estão a redesenhar o mapa dos negócios, quebrando paradigmas, conquistando espaço e inspirando novas gerações a liderar com coragem, estratégia e propósito. Uma conversa que vai muito além da gestão — é sobre impacto, resiliência e o poder de mudar o “jogo”.

No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, como nasceu a Protect First - Consultoria, Unipessoal, Lda e o que a motivou a transformar a sua experiência profissional em um projeto próprio, focado na consultoria e segurança contra incêndios? 
A Protect First é um sonho antigo, o desejo de construir algo verdadeiramente meu. Recentemente, houve uma viragem no meu percurso profissional que me levou a repensar o futuro. Graças à experiência acumulada ao longo dos últimos anos na área da Segurança Contra Incêndios e ao meu percurso como bombeira voluntária, percebi que tinha reunido o conhecimento, a maturidade e a coragem necessários para dar este passo. A Protect First nasceu, assim, da vontade de transformar experiência em impacto real, criando soluções que aumentam a segurança das pessoas e das infraestruturas. 

O setor da segurança contra incêndios é tradicionalmente dominado por profissionais masculinos. Como foi afirmar-se como mulher num contexto ainda tão técnico e, por vezes, pouco inclusivo? 
Enquanto mulheres, sentimos muitas vezes que precisamos de nos esforçar o dobro para sermos levadas a sério. Desde jovem enfrentei esse paradigma: sou bombeira voluntária há 19 anos, um meio maioritariamente masculino, onde nem sempre é fácil sermos ouvidas. Aprendi cedo que o respeito se conquista não apenas com palavras, mas com atitude, resiliência e resultados. Quando mostramos, através das nossas ações, do que somos verdadeiramente capazes, o reconhecimento acaba por chegar - e chega de forma sólida. 

Na sua opinião, quais são as principais competências ou qualidades que uma mulher aporta para o mundo da engenharia e da consultoria técnica? 
As mulheres já não vivem os sonhos dos outros - constroem os seus próprios caminhos. Trazemos resiliência, espírito crítico, organização, capacidade de adaptação e uma força muito própria, que nos permite superar desafios e conquistar espaço em áreas técnicas tradicionalmente masculinas. A combinação entre rigor técnico e sensibilidade humana torna-nos particularmente completas neste setor. 

A Protect First nasceu com o propósito de transformar conhecimento técnico em soluções práticas e eficazes. De que forma esta filosofia se reflete no dia a dia da empresa e na relação com os clientes? 
Na Protect First acreditamos que conhecimento só tem valor quando gera resultados concretos. Por isso, trabalhamos sempre com uma abordagem muito prática, clara e orientada para o cliente. Cada projeto é pensado para simplificar a vida das organizações: traduzimos linguagem técnica em soluções acessíveis, funcionais e adaptadas à realidade de cada edifício. O foco é sempre garantir conformidade, segurança e tranquilidade - com proximidade, transparência e acompanhamento contínuo. 

O que considera ser o maior desafio hoje para as empresas na área da segurança contra incêndios e como a Protect First se posiciona para responder a essas exigências? 
O grande desafio continua a ser a falta de cultura de segurança. Muitos ainda acreditam que “só acontece aos outros” e encaram estas medidas como um custo e não como um investimento essencial. Portugal continua a ser um país mais reativo do que preventivo. A Protect First posiciona-se exatamente para contrariar essa realidade: queremos sensibilizar, educar e implementar soluções que facilitem a prevenção, reduzam riscos e promovam mudanças de mentalidade. 

Ao longo da sua trajetória, que conquistas mais a marcaram enquanto profissional e empreendedora? E quais foram os momentos que mais a desafiaram pessoalmente? 
A minha maior conquista é ter clientes que confiam no meu trabalho e saber que contribuo diariamente para a segurança de pessoas e edifícios. Pessoalmente, o momento mais desafiante é, sem dúvida, este: iniciar um negócio do zero. É um território exigente e novo para mim, mas também aquele onde sei que posso realmente fazer a diferença. 

Ser mulher empreendedora ainda implica enfrentar preconceitos ou resistências? Como lida com esses cenários e que conselhos deixaria a outras mulheres que ambicionam liderar o seu próprio negócio? 
Sim, ainda existe algum preconceito e resistência, sobretudo a ideia de que o caminho mais seguro é trabalhar por conta de outrem. Com o tempo, aprendi a extrair das críticas apenas aquilo que me pode fortalecer. Tudo o resto é ruído. O meu conselho a outras mulheres é simples: tenham garra, determinação e coragem para avançar. Não se diminuam, não se escondam e nunca tenham medo de mostrar o vosso valor. 

Como vê o papel das mulheres no futuro do trabalho, especialmente em áreas técnicas e de engenharia? Acredita que há hoje mais espaço e reconhecimento do talento feminino? 
Felizmente, cada vez mais mulheres se afirmam em áreas tradicionalmente masculinas - desde a mecânica às forças de segurança, à engenharia ou aos bombeiros. Trazemos inovação, sensibilidade, visão integrada e capacidade de liderança. O reconhecimento já é maior do que era há alguns anos, mas ainda há muito espaço por conquistar. O mundo começa a abrir caminhos, mas ainda temos muitos hectares para desbravar. 

A formação especializada é uma das vertentes da Protect First. Na sua opinião, qual a importância de investir continuamente na qualificação das equipas e dos profissionais neste setor? 
As pessoas tendem a resistir à mudança - é natural, somos seres de hábitos. Por isso, a formação contínua e os exercícios de simulação são essenciais para criar hábitos, rotinas de segurança e respostas eficazes em situações de emergência. Para nós, profissionais, a atualização constante também é indispensável. As normas evoluem, as técnicas mudam e cabe-nos estar sempre preparados para oferecer soluções atualizadas e rigorosas. 

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um tema recorrente, sobretudo para mulheres em cargos de liderança. Como gere o seu tempo e mantém a motivação em alta? 
Nem sempre é fácil - exige disciplina, organização e muita vontade. Trabalho durante o dia, treino quando posso, faço voluntariado nos bombeiros, dedico tempo à família e amigos e continuo a viajar sempre que tenho oportunidade. Não abdico do que me faz bem; apenas tenho de gerir o tempo com máxima eficiência. 

Que mulheres a inspiram – no passado ou no presente – e de que forma essas referências influenciaram o seu percurso? 
Sem dúvida, a minha mãe é a minha maior inspiração. Cresci numa família que sempre me transmitiu a importância do trabalho, da humildade e de nunca perder as nossas raízes. A minha mãe foi - e continua a ser - um verdadeiro exemplo de força e dedicação: trabalha incansavelmente, cuida da casa e do campo e, mesmo com tantas responsabilidades, nunca deixou de estar presente para as filhas. Mas não seria justa se não mencionasse também o meu pai, mesmo que o pedido fosse apenas para referências femininas. Apesar de passar períodos fora devido ao trabalho, sempre me apoiou e sempre faz parte essencial do nosso alicerce familiar. É nos dois que encontro inspiração constante. É com eles que aprendi a persistir, a manter-me fiel aos meus princípios e a construir os valores que hoje levo comigo - tanto na minha vida pessoal como no meu percurso profissional. 

Por fim, se pudesse deixar uma mensagem às jovens mulheres que hoje estão a começar a sua carreira, qual seria o seu maior conselho ou lema de vida?
Acreditem em vocês, mesmo quando mais ninguém acredita. O caminho pode ser difícil, exigente e por vezes solitário, mas vale a pena. Não deixem que o medo vos paralise, não aceitem ser colocadas numa caixa e não desistam ao primeiro obstáculo. Trabalhem, persistam e lembrem-se: o vosso lugar é exatamente onde quiserem estar.

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