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“A Liderança é o resultado de um percurso feito com Compromisso, Trabalho e Paixão”

Joana Lemos, Pharmacist Manager da Farmácia do Lago, é o rosto de uma nova geração de mulheres que transformam o setor da saúde com visão estratégica e proximidade humana. Nesta entrevista, mais do que falar de carreira, falamos de impacto — da capacidade de liderar com rigor técnico sem abdicar da sensibilidade, de gerir equipas num setor em constante evolução e de afirmar o feminino como força de decisão e inovação. Uma conversa inspiradora que prova que liderança e cuidado podem — e devem — caminhar lado a lado.

O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, é um momento de reflexão e celebração. Que significado pessoal e profissional tem esta data para si enquanto mulher líder no setor farmacêutico?
O Dia Internacional da Mulher é, para mim, simultaneamente um momento de celebração e de responsabilidade, mas, acima de tudo, uma lembrança poderosa do caminho global que continua a ser feito em direção à igualdade, ao reconhecimento e às oportunidades para as mulheres. É uma data que evidencia o impacto social, económico e de liderança que as mulheres têm em todos os setores e reforça o quão essencial é o seu contributo para a construção de sociedades mais equilibradas e sustentáveis.
No plano pessoal, representa o reconhecimento do percurso, da resiliência e das escolhas que muitas mulheres fazem diariamente para conciliar ambição profissional, propósito e vida pessoal. É também uma oportunidade de agradecer às mulheres que me inspiraram e abriram caminho antes de mim, nomeadamente a minha mãe.
Profissionalmente, enquanto líder no setor farmacêutico, esta data reforça a importância de promover ambientes inclusivos, onde o talento é reconhecido de forma equitativa e onde a diversidade de perspetivas contribui para melhores decisões e melhores resultados. O setor da saúde tem um impacto direto na vida das pessoas e acredito que a liderança feminina acrescenta uma visão mais empática, colaborativa e orientada a longo prazo.
Mais do que um marco simbólico, o 8 de março deve ser um verdadeiro apelo à ação contínua, lembrando organizações e líderes de que o progresso real se constrói com ações concretas, desde políticas de igualdade até ao desenvolvimento de futuras líderes. É esse compromisso diário que dá verdadeiro significado à data.

Ao longo do seu percurso, que desafios sentiu por ser mulher num contexto de gestão e negócios, e de que forma esses desafios contribuíram para moldar a líder que é hoje?
Ao longo do meu percurso, um dos principais desafios foi afirmar uma voz credível em contextos de gestão ainda marcados por modelos de liderança tradicionais, onde, em alguns casos, persiste a ideia de que a competência está associada ao género. Existem ainda profissionais que vivem presos a paradigmas do passado e que partem do pressuposto de que os homens são mais capazes ou mais preparados para liderar.
Esses desafios obrigaram-me a ser mais consistente, mais bem preparada e mais estratégica na forma como comunico e tomo decisões. Aprendi a deixar que os resultados falem por si, a sustentar posições com dados e visão, e a manter a confiança mesmo em ambientes menos inclusivos. Com o tempo, percebi que credibilidade não se impõe constrói-se com coerência, entrega e impacto.
Paradoxalmente, essas experiências foram determinantes para moldar a líder que sou hoje. Tornaram-me mais resiliente, mais consciente da importância da diversidade na liderança e mais comprometida em criar equipas onde o talento e o mérito prevalecem sobre estereótipos. Hoje, vejo esses desafios não apenas como obstáculos superados, mas como motores de crescimento e de transformação.

A Farmácia do Lago é hoje uma referência de proximidade e inovação. Que valores femininos considera que imprime na sua forma de gerir e liderar a equipa?
Na minha forma de liderar, acredito profundamente no valor do equilíbrio. Procuro construir equipas diversas, com homens e mulheres, porque essa complementaridade cria uma dinâmica mais saudável, mais rica em perspetivas e acredito, um equilíbrio natural que se reflete no dia a dia e nos resultados.
Enquanto mulher, trago para a gestão uma abordagem mais próxima, atenta às pessoas e às relações, sem perder o foco na exigência, na responsabilidade e na inovação. Valorizo a escuta ativa, a empatia, a cooperação e a confiança mútua, criando um ambiente onde cada elemento da equipa se sente respeitado, envolvido e motivado a dar o seu melhor. Esse equilíbrio humano, energético e profissional é, para mim, um dos pilares que faz da Farmácia do Lago uma referência de proximidade, sem abdicar da eficiência, da evolução e da capacidade de adaptação num setor em constante transformação.

A liderança feminina é frequentemente associada à empatia, à resiliência e à capacidade de escuta. Como estas características se refletem no dia a dia da sua gestão?
A empatia, a resiliência e a capacidade de escuta fazem parte do meu dia a dia enquanto líder, não como conceitos abstratos, mas como práticas concretas. Sou muito próxima da minha equipa e faço questão de que todos saibam que podem contar comigo, tanto a nível profissional como humano.
Acredito que um ambiente de confiança e proximidade gera equipas mais motivadas, mais comprometidas e mais felizes no trabalho. Esse espírito reflete-se no facto de termos uma equipa que gosta genuinamente de trabalhar na Farmácia do Lago, e é particularmente significativo ver que mesmo os colaboradores que já passaram por aqui mantêm uma ligação próxima, regressam para nos visitar e continuam a sentir a farmácia como um lugar especial.
Para mim, essa continuidade emocional é um dos maiores indicadores de uma liderança baseada na escuta, no respeito e na valorização das pessoas. É assim que construo equipas sólidas e sustentáveis, capazes de crescer em conjunto com o negócio.

Num setor em constante evolução como o farmacêutico, que importância atribui ao papel das mulheres na transformação dos modelos de negócio e na inovação?
Num setor tão dinâmico e exigente como o farmacêutico, o papel das mulheres é absolutamente central na transformação dos modelos de negócio e na promoção da inovação. As mulheres trazem uma abordagem integrada, que combina visão estratégica, sensibilidade às necessidades reais das pessoas e capacidade de adaptação a contextos em constante mudança.
A inovação no setor da saúde não se faz apenas através da tecnologia ou do produto, mas também através da forma como se lidera, se comunica e se criam relações de confiança com equipas, parceiros e comunidades. Nesse sentido, a liderança feminina contribui para modelos de negócio mais sustentáveis, mais próximos do cliente e mais orientados para o futuro.
Ao integrarem diversidade de pensamento, empatia e rigor na tomada de decisão, as mulheres ajudam a acelerar processos de transformação, a questionar modelos tradicionais e a impulsionar uma inovação que é, acima de tudo, responsável e com impacto real na sociedade.

Enquanto manager e líder, como promove o crescimento profissional das mulheres na sua equipa e incentiva a igualdade de oportunidades?
Enquanto líder, acredito que a verdadeira igualdade se constrói no dia a dia. Na minha equipa, mulheres e homens são tratados de igual forma, com base no respeito, na confiança e no mérito. As oportunidades de crescimento profissional não são definidas pelo género, mas pelas competências, pelo compromisso e pela vontade de evoluir.
Promovo um ambiente onde todas as pessoas se sentem seguras para expressar ideias, assumir responsabilidades e desenvolver o seu potencial. Acredito que quando existe respeito acima de tudo, a igualdade deixa de ser um objetivo teórico e passa a ser uma realidade prática, refletida na motivação, no desempenho e na coesão da equipa.
Para mim, liderar é garantir que cada elemento tem espaço para crescer, independentemente de ser mulher ou homem, num contexto justo, transparente e equilibrado.

Que mais-valias considera que a sua liderança traz não só à Farmácia do Lago, mas também ao setor farmacêutico enquanto área de negócio e de serviço à comunidade?
A minha liderança assenta numa visão clara sobre o futuro do setor farmacêutico: uma farmácia cada vez mais orientada para a prevenção, para a literacia em saúde e para o acompanhamento personalizado ao longo da vida. Acredito que o verdadeiro valor do setor está em evoluir de um modelo centrado na doença para um modelo centrado no individuo.
Na Farmácia do Lago, essa visão traduz-se no investimento contínuo na formação da equipa, no desenvolvimento de serviços de saúde diferenciadores e na utilização do aconselhamento como ferramenta estratégica de proximidade e confiança. O farmacêutico do futuro é, cada vez mais, um parceiro ativo na gestão da saúde, capaz de interpretar, orientar e acompanhar de forma individualizada.
Esta abordagem está alinhada com as grandes tendências do setor: envelhecimento da população, aumento das doenças crónicas, maior consciência preventiva e procura por soluções integradas e personalizadas. Tratar cada utente como único não é apenas uma escolha humana é uma decisão estratégica sustentável.
Como costumo dizer, o nosso corpo é uma máquina perfeita; só precisamos de aprender a usá-la melhor. Ao promover esta visão junto da equipa e da comunidade, acredito estar a contribuir para um setor farmacêutico mais inovador, mais próximo e com um papel cada vez mais relevante na saúde pública e no bem-estar das pessoas.

A conciliação entre vida pessoal e profissional continua a ser um tema central para muitas mulheres. Como gere esse equilíbrio e que mensagem deixaria a outras líderes?
A conciliação entre vida pessoal e profissional é um exercício contínuo de escolhas e de prioridades, sobretudo em fases de grande crescimento. Neste momento, abracei um novo desafio com a criação da Exorya, uma empresa que irá trabalhar em parceria com unidades hoteleiras de referência, como o prestigiado Hotel Vila Foz, promovendo a saúde de quem procura prevenir e melhorar a sua condição. Este novo projeto trouxe naturalmente uma maior exigência de tempo e foco.
Para gerir esse equilíbrio, aprendi a criar mecanismos claros: horários exclusivos para os meus filhos, momentos de trabalho intensos e altamente focados, e espaços dedicados ao autocuidado pessoal. Acredito que só conseguimos liderar com clareza e energia quando cuidamos também do nosso equilíbrio mental e físico.
Ao longo do tempo, aprendi igualmente a relativizar a pressão. Procuro não viver em stress constante, aceitando que nem tudo tem de ser feito no mesmo dia. Ter prioridades bem definidas, aceitar limites e valorizar o autocuidado tornou-se essencial para manter o equilíbrio e a consistência a longo prazo.
A mensagem que deixo a outras líderes é simples: não existe um modelo único de conciliação. Cada fase da vida exige ajustes diferentes. Viver de forma mais consciente, um dia de cada vez, com presença, foco e propósito, é muitas vezes a forma mais sustentável de crescer como profissionais, líderes e pessoas.

Que conselhos daria a jovens mulheres farmacêuticas ou empreendedoras que ambicionam cargos de liderança e gestão?
Acredito que o foco, a dedicação e o gosto genuíno pelo que se faz são fundamentais para qualquer percurso de liderança. Nada se constrói sem esforço, consistência e capacidade de enfrentar desafios, sobretudo em áreas exigentes como a farmacêutica ou o empreendedorismo.
É importante investir continuamente no desenvolvimento pessoal e profissional, manter a curiosidade, aprender com os erros e não desistir perante os obstáculos. A liderança não é um objetivo imediato, mas o resultado de um percurso feito com compromisso, trabalho e paixão.
A todas as jovens mulheres que ambicionam cargos de gestão, deixo uma mensagem clara: acreditem nas vossas capacidades, trabalhem com propósito e não tenham medo de assumir responsabilidades. O esforço compensa, sobretudo quando é sustentado por paixão e sentido de missão.

Se tivesse de definir, numa frase, o impacto que as mulheres podem ter no futuro dos negócios e da liderança, qual seria?
Quando as mulheres lideram, as decisões deixam de ser apenas estratégicas e passam a ser profundamente humanas.















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