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“Queremos ser um parceiro ativo do desenvolvimento empresarial da região”

Antes da inauguração de um novo edifício, existe a inauguração de uma nova visão para o futuro da liderança. A chegada do novo Campus da AESE Business School ao Porto representa muito mais do que a expansão física de uma instituição de referência: simboliza um reforço do compromisso com a formação de líderes capazes de responder aos desafios de uma economia cada vez mais exigente, inovadora e global. Num território reconhecido pelo seu dinamismo empresarial, este investimento aproxima o conhecimento das empresas, promove a criação de talento e consolida o Porto como um dos principais polos nacionais de desenvolvimento executivo. É neste contexto que a Business Voice conversou com Pedro Pimentel, Membro da Direção da AESE Business School, sobre o significado desta aposta estratégica e o impacto que o novo Campus terá na capacitação das organizações e das lideranças do futuro.

Que visão estratégica está por detrás deste investimento?
A abertura do Campus da AESE no Porto resulta da vontade de consolidarmos a nossa presença de uma das regiões mais dinâmicas e empreendedoras do país. O Norte tem uma identidade empresarial muito própria, marcada pela capacidade de iniciativa, pela vocação exportadora, pela resiliência e por uma cultura de trabalho que tem contribuído decisivamente para a competitividade da economia portuguesa.
A AESE sempre procurou estar onde se encontram os desafios mais relevantes da liderança e da gestão. Ao criar este novo Campus, queremos reforçar a nossa presença junto das empresas, dos empresários e dos gestores da região, proporcionando um espaço de encontro, formação e reflexão adaptado às suas necessidades e aspirações.
Mais do que formar executivos, queremos contribuir para o desenvolvimento de líderes capazes de gerar impacto positivo nas suas organizações e na sociedade. Acreditamos que o crescimento económico sustentável depende, em grande medida, da qualidade das decisões tomadas por quem lidera.
Nos próximos anos, ambicionamos que a AESE no Porto continue a ser, de uma forma mais constante e estável, um parceiro ativo do desenvolvimento empresarial da região, promovendo conhecimento, fortalecendo redes de colaboração e ajudando a preparar líderes que saibam enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais exigente, complexo e interdependente.

Como foi pensado o Campus para responder aos desafios das empresas do Norte?
O tecido empresarial do Norte possui características muito próprias e, em muitos aspetos, únicas no contexto nacional. Encontramos aqui empresas industriais de referência, organizações fortemente internacionalizadas e um número significativo de empresas familiares que têm demonstrado extraordinária capacidade de adaptação e crescimento ao longo de várias gerações.
Estas empresas enfrentam hoje desafios particularmente exigentes. A transformação digital, a integração da inteligência artificial, a sucessão geracional, a inovação dos modelos de negócio e a crescente volatilidade dos mercados obrigam a uma renovação permanente das competências de liderança.
O novo Campus foi concebido precisamente para responder a estas necessidades de uma forma mais estável e constante, com a autonomia que proporcionam instalações próprias projetadas de acordo com a nossa metodologia de trabalho, o método do caso, que consiste na análise rigorosa de situações empresariais concretas e na partilha de experiências entre participantes permitindo assim um ambiente de aprendizagem profundamente ligado aos desafios reais das organizações.
A nossa ambição não é apenas transmitir conhecimento técnico. É ajudar os líderes a desenvolver critérios de decisão, capacidade de reflexão estratégica e uma visão integrada da empresa enquanto comunidade de pessoas reunidas em torno de um propósito comum.
Ao estarmos mais próximos do tecido empresarial da região, teremos também maior capacidade para compreender as suas necessidades específicas e promover iniciativas que contribuam efetivamente para reforçar a competitividade das empresas portuguesas, num contexto internacional cada vez mais exigente.
 
Esta proximidade representa uma nova forma de encarar o ensino executivo?
Continuamos a encarar a formação de executivos como sempre o fizemos ao longo dos nossos 46 anos de história (40 com presença regular na zona Norte). Naturalmente é totalmente diferente ter os nossos Programas em Hotéis ou num local próprio pensado para o efeito. É também diferente para os dirigentes do Norte ter um local de encontro habitual para as sessões que se promovem após terem completado os Programas permitindo duma forma habitual conversas entre pares, intercâmbio de experiências e construção de redes de confiança entre líderes. A nossa oferta será, além disso, mais ampla e diversificada como, aliás, já se verificou durante este ano letivo.
 
Que tipo de liderança será indispensável formar?
Vivemos uma época particularmente desafiante para quem lidera. A velocidade da transformação tecnológica, a emergência da inteligência artificial, as exigências da sustentabilidade, as alterações demográficas e as incertezas geopolíticas criam um ambiente de enorme complexidade.
Perante este contexto, acredito que a principal competência de um líder continuará a ser a capacidade de discernimento. A tecnologia oferece novas possibilidades, mas não substitui o julgamento humano, a responsabilidade nem a capacidade de decidir de acordo com princípios sólidos.
As organizações precisarão de líderes capazes de combinar visão estratégica com profunda compreensão das pessoas. Líderes que saibam interpretar a mudança sem se deixarem dominar por ela. Líderes que consigam inovar, mas também inspirar confiança. Líderes preparados para aprender continuamente e para ajudar outros a crescer.
Competências como a literacia digital, o conhecimento das tecnologias emergentes, a gestão da mudança e a capacidade de trabalhar em ecossistemas globais deixarão de ser opcionais. No entanto, estou convencido de que atributos como a integridade, a empatia, a escuta ativa, a prudência e o sentido de missão serão cada vez mais diferenciadores.
A liderança do futuro será inevitavelmente mais tecnológica, mas terá igualmente de ser mais humana. E é precisamente essa síntese que procuramos desenvolver: líderes competentes, responsáveis e conscientes do impacto das suas decisões nas pessoas e na sociedade.

Pode este Campus tornar-se um ponto de encontro da comunidade empresarial?
Esse é, sem dúvida, um dos nossos principais objetivos. Gostaríamos que o Campus do Porto viesse a afirmar-se como um espaço de encontro entre diferentes gerações de líderes, diferentes setores de atividade e diferentes perspetivas sobre os desafios do desenvolvimento económico e social, como, aliás, já acontece no nosso Campus de Lisboa.
As melhores ideias surgem muitas vezes na interseção entre mundos distintos. Quando empresários, gestores, académicos, empreendedores e decisores se encontram para refletir sobre problemas comuns, criam-se condições para o aparecimento de novas soluções e novas oportunidades de colaboração.
A AESE possui uma tradição muito forte de construção de comunidades de aprendizagem e de relacionamento que sempre integraram pessoas de todo o país. Naturalmente, no novo Campus, teremos a possibilidade de promover conferências, fóruns de discussão, encontros temáticos, sessões de partilha de boas práticas e iniciativas que valorizem o diálogo entre a academia e a realidade empresarial. A realidade das novas instalações facilita, naturalmente, a presença das pessoas do Norte nestes eventos.
Contamos com a comunidade de Alumni da AESE, o ativo mais relevante da Escola, para a concretização destes objetivos.
Acreditamos que este Campus será reconhecido como um local onde se desenvolvem pessoas, se fortalecem organizações e se constroem pontes duradouras entre conhecimento, liderança e ação.
 
 Qual gostaria que fosse o maior legado daqui a dez anos?
Daqui a dez anos, esperamos poder dizer que, neste Campus da AESE, se continuou a preparar uma geração de líderes capazes de transformar positivamente as suas organizações e a sociedade. Esse seria, para mim, o indicador mais importante.
Naturalmente, acompanharemos métricas relacionadas com a participação nos programas, a atividade formativa e o crescimento da nossa presença na região. Contudo, o verdadeiro impacto de uma escola de negócios mede-se de forma muito mais profunda.
Será importante avaliar quantas empresas conseguiram crescer de forma sustentável, quantos líderes desenvolveram novas capacidades de decisão, quantas parcerias relevantes nasceram deste ecossistema e quantos projetos empresariais ganharam impulso através das redes criadas em torno do Campus.
Acredito também que a comunidade empresarial reconheça este espaço como um centro de pensamento e de desenvolvimento humano, onde a excelência na gestão esteve sempre associada a uma visão ética e responsável da liderança.
Se conseguirmos contribuir para organizações mais competitivas, mas também mais humanas; para líderes mais preparados, mas também mais conscientes da sua responsabilidade; e para uma região mais dinâmica, inovadora e colaborativa, então poderemos afirmar que o trabalho da AESE no Norte, ganhou escala, cumpriu plenamente a sua missão e deixou um legado verdadeiramente transformador.


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