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“O futuro da Advocacia exige Inovação, mas também proximidade Humana”

A advocacia está a atravessar uma profunda transformação. A inovação tecnológica, a inteligência artificial, os novos modelos de trabalho e uma nova visão sobre liderança estão a redefinir o setor jurídico e a forma como os advogados se relacionam com clientes, equipas e organizações. Neste contexto de mudança, as lideranças femininas assumem um papel cada vez mais relevante na construção de organizações mais humanas, adaptáveis e preparadas para o futuro. É neste enquadramento que a Business Voice conversa com Ana Rocha Alves, Advogada e Co-Founder | Partner da NOVA Legal, sobre liderança, inovação, equilíbrio profissional e a importância de uma advocacia próxima das pessoas. Porque, no final, esta já não é apenas uma conversa sobre mulheres no Direito. É uma conversa sobre o futuro da própria advocacia.

O setor jurídico continua a ser tradicionalmente exigente e altamente competitivo. Que desafios identifica hoje no acesso a posições de liderança na advocacia e de que forma o setor jurídico tem evoluído nessa matéria?
A advocacia continua a ser um setor muito exigente, mas acredito que a evolução já é bastante visível. Hoje existe uma maior abertura a modelos de liderança mais colaborativos, flexíveis e orientados para resultados.
Ainda assim, as mulheres continuam, em alguns contextos, a enfrentar desafios adicionais associados a estruturas tradicionais muito hierarquizadas, expectativas culturais ainda enraizadas e à dificuldade em conciliar elevados níveis de exigência profissional com a vida pessoal. Felizmente, essa realidade tem vindo a evoluir de forma muito positiva.
As novas gerações estão a contribuir para uma mudança importante na forma como se olha para a liderança, para a organização do trabalho e para o próprio exercício da advocacia. Acredito também que a transformação tecnológica e a modernização do setor estão a impulsionar uma cultura mais inclusiva, eficiente e adaptada às exigências atuais.

A liderança feminina tem vindo a ganhar maior visibilidade no universo jurídico. Na sua perspetiva, que características marcam hoje as novas lideranças femininas na advocacia e de que forma estão a contribuir para transformar a cultura das organizações?
As novas lideranças femininas distinguem-se, muitas vezes, pela capacidade de adaptação, proximidade, inteligência emocional e visão estratégica. Hoje liderar já não significa apenas coordenar equipas; significa criar cultura, promover inovação e saber acompanhar a velocidade da mudança.
Num setor em transformação, impulsionado pela tecnologia, pela inteligência artificial e por novas exigências dos clientes, acredito que muitas mulheres têm tido um papel importante na construção de organizações mais ágeis, mais humanas e mais preparadas para o futuro.

A NOVA Legal posiciona-se como uma sociedade focada em inovação jurídica e proximidade às empresas. De que forma acredita que os novos modelos de trabalho e a transformação do setor jurídico estão a criar uma advocacia mais moderna, flexível e inclusiva?
Na NOVA Legal acreditamos muito numa advocacia moderna, centrada no cliente e preparada para novos desafios. A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a integrar a própria estratégia das sociedades de advogados.
Temos participado e contribuído para essa evolução com naturalidade, investindo em inovação e em soluções legaltech que permitam prestar um serviço mais eficiente, mais ágil e mais próximo dos clientes. A inteligência artificial, por exemplo, deve ser encarada como uma oportunidade para potenciar o trabalho do advogado e libertar tempo para aquilo que realmente acrescenta valor: estratégia, criatividade, pensamento crítico e relação humana.
Os novos modelos de trabalho também vieram trazer maior flexibilidade e uma visão mais equilibrada da profissão, contribuindo para organizações mais inclusivas e adaptadas às diferentes realidades pessoais e profissionais. Naturalmente, isso acaba por criar condições mais favoráveis para uma maior diversidade de perfis em posições de liderança, incluindo cada vez mais mulheres.

Num setor tradicionalmente marcado por elevados níveis de exigência, acredita que a advocacia está hoje mais consciente da importância do equilíbrio, da flexibilidade e da sustentabilidade profissional?
Hoje existe uma consciência muito maior da importância do equilíbrio e da sustentabilidade profissional, sobretudo num setor tradicionalmente marcado por elevados níveis de exigência e pressão constante.
Felizmente, temas como saúde mental, gestão emocional e equilíbrio entre vida profissional e pessoal começaram finalmente a ganhar espaço no mundo jurídico. Durante muitos anos existiu quase uma cultura de normalização do excesso e da disponibilidade permanente, associando sucesso profissional à ausência de equilíbrio pessoal.
As mulheres, em particular, continuam muitas vezes a sentir uma pressão acrescida na gestão de múltiplas responsabilidades, o que torna esta reflexão ainda mais necessária, não apenas na advocacia, mas de forma transversal no mundo profissional.
Ao longo do meu percurso tenho aprendido a importância de definir prioridades, criar equilíbrio e contribuir para ambientes de trabalho mais humanos, saudáveis e sustentáveis. A exigência continuará sempre a fazer parte da profissão, mas isso não deve significar abdicar de bem-estar e qualidade nas relações profissionais.

Ao longo do seu percurso, houve momentos particularmente desafiantes que contribuíram para moldar a sua forma de liderar e exercer a advocacia?
Ao longo do meu percurso existiram vários momentos particularmente desafiantes, mas acredito que os maiores desafios surgiram precisamente da vontade de fazer diferente e acompanhar a transformação da própria advocacia.
A criação e crescimento da NOVA Legal representaram, nesse sentido, uma fase muito exigente e ao mesmo tempo muito enriquecedora. Construir um projeto assente numa visão mais moderna, próxima das empresas, aberta à inovação e à tecnologia implicou sair da zona de conforto a vários níveis. 
Naturalmente, existiram também momentos de maior pressão e exigência pessoal, sobretudo em fases de crescimento, tomada de decisões importantes e gestão simultânea de múltiplas responsabilidades. Essas experiências ensinaram-me a importância da resiliência, da confiança nas decisões que tomamos e da capacidade de manter equilíbrio mesmo em contextos de elevada exigência.
Hoje, mais do que nunca, a advocacia exige capacidade de adaptação, visão estratégica e aprendizagem contínua.

A nova geração de mulheres na advocacia procura cada vez mais propósito, impacto e liberdade profissional. Que conselhos considera essenciais para jovens advogadas que ambicionam construir uma carreira sólida, diferenciadora e com impacto?
Diria, antes de tudo, que é fundamental existir um gosto genuíno pela profissão e para nunca perderem autenticidade. 
A advocacia continua a ser uma profissão muito exigente, mas também extremamente desafiante e enriquecedora.
É importante investir continuamente em conhecimento, acompanhar a evolução tecnológica e desenvolver competências que vão além da componente técnica, como comunicação, pensamento estratégico e capacidade de adaptação.
Mais do que procurar percursos perfeitos ou modelos pré-definidos de sucesso, acredito que é essencial construir uma carreira com autenticidade, consistência e vontade constante de aprender e evoluir.

Que marca ou contributo gostaria de deixar no setor jurídico e que mensagem considera importante transmitir às novas gerações de líderes na advocacia?
Gostaria de deixar um contributo associado a uma advocacia próxima das pessoas, consciente do impacto que o nosso trabalho pode ter na vida dos clientes, nas organizações e na própria sociedade.
Acredito que ser advogado não passa apenas pelo conhecimento técnico ou pela resolução de problemas jurídicos, mas também pela capacidade de ouvir, compreender contextos, criar relações de confiança e acompanhar pessoas e empresas em momentos muitas vezes decisivos.
Naturalmente, a inovação, a tecnologia e a evolução do setor jurídico serão cada vez mais importantes, mas espero que a advocacia nunca perca a sua dimensão humana.
Às novas gerações, gostaria sobretudo de transmitir a importância de exercer a profissão com autenticidade, sentido de responsabilidade, proximidade e vontade de contribuir positivamente para a sociedade através do Direito.


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