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“Sinto que a minha missão vai além da intermediação de crédito”

No universo da intermediação de crédito, onde o conhecimento técnico e a confiança são determinantes, a liderança feminina tem vindo a afirmar-se como um verdadeiro motor de inovação, proximidade e transformação. Cada vez mais, as mulheres assumem papéis estratégicos no setor, demonstrando que é possível conciliar visão empresarial, rigor e uma abordagem profundamente centrada nas pessoas.
Nesta edição da Business Voice, conversamos com Marta Costa Pinto, CEO da Costa Pinto Legacy, uma profissional que tem vindo a deixar a sua marca através de uma liderança inspiradora e de uma visão diferenciadora sobre a intermediação de crédito. Nesta entrevista, partilha o seu percurso, os desafios que enfrentou, as oportunidades que identifica para o futuro e a importância de um setor que desempenha um papel decisivo na concretização dos projetos de vida e na promoção de uma maior literacia financeira das famílias portuguesas. Uma conversa que reforça o contributo das mulheres para um mercado cada vez mais humano, credível e orientado para a excelência.

A intermediação de crédito continua a ser um setor onde a confiança, a negociação e a capacidade de influência são determinantes. O que a motivou a construir a sua carreira nesta área e de que forma acredita que o facto de ser mulher influenciou o seu percurso, os desafios enfrentados e as oportunidades conquistadas ao longo dos anos?
Como Contabilista Certificada, com 19 anos de experiência na área financeira, acompanhei empresas e particulares em momentos financeiros decisivos. Percebi que existia uma lacuna ao nível da literacia financeira e que muitos clientes sentiam dificuldades em compreender os processos de financiamento e em reunir a documentação necessária para apresentar às instituições bancárias. Foi precisamente essa realidade que me levou a abraçar este desafio. 
Quanto ao facto de ser mulher, acredito que o meu percurso foi marcado sobretudo pela competência, dedicação e consistência do trabalho desenvolvido. Naturalmente, existiram momentos em que foi necessário afirmar os meus conhecimentos e demonstrar o meu valor de forma contínua. No entanto, encarei esses desafios como oportunidades para crescer e consolidar a minha posição.
Hoje, sinto que a minha missão vai além da intermediação de crédito. Pretendo contribuir para uma maior literacia financeira em Portugal, ajudando pessoas e empresas a compreender melhor as suas opções, a planear o futuro com mais segurança e a tomar decisões financeiras mais conscientes.

Apesar da crescente presença feminina em posições de liderança, muitos setores financeiros ainda enfrentam desafios relacionados com a igualdade de oportunidades. Na sua perspetiva, que barreiras persistem para as mulheres que pretendem desenvolver uma carreira na intermediação de crédito e o que é necessário fazer para acelerar essa transformação?
Considero que ainda existem alguns desafios para as mulheres que pretendem desenvolver uma carreira na área financeira. Felizmente, a competência é cada vez mais valorizada, mas persistem alguns preconceitos associados a setores vistos como mais masculinos, sobretudo quando falamos de negociação, liderança ou tomada de decisão.
No entanto, a intermediação de crédito é uma atividade onde a confiança, a ética e o conhecimento técnico são determinantes. São precisamente estas competências, e não o género, que fazem a diferença na qualidade do serviço prestado e na capacidade de criar relações sólidas com clientes e instituições financeiras.
Para acelerar esta transformação, considero essencial continuar a promover uma cultura de igualdade de oportunidades, baseada no mérito, na valorização das competências e no acesso à formação contínua. É igualmente importante dar visibilidade a exemplos de mulheres que ocupam posições de responsabilidade, pois essas referências inspiram outras profissionais a acreditar que também podem construir carreiras de sucesso.

Num contexto económico marcado pela inflação, aumento do custo de vida e maior exigência na gestão do orçamento familiar, qual considera ser o verdadeiro papel dos intermediários de crédito na proteção financeira das famílias portuguesas e na promoção de decisões mais informadas e sustentáveis?
Vivemos um contexto económico particularmente desafiante, em que muitas famílias enfrentam um aumento significativo dos encargos mensais e uma maior dificuldade em gerir o orçamento. Neste cenário, a nossa principal missão é ajudar as pessoas a compreender as suas opções, avaliar a sua capacidade financeira e tomar decisões responsáveis, ajustadas à sua realidade e aos seus objetivos de longo prazo. Um crédito deve ser uma solução que contribua para a estabilidade financeira da família e não um fator de desequilíbrio.

A liderança feminina é frequentemente associada a características como empatia, proximidade e capacidade de criar relações de confiança. Acredita que estas competências representam hoje uma vantagem competitiva no setor da intermediação de crédito? De que forma podem contribuir para uma experiência mais humana e personalizada para os clientes?
Acredito que a verdadeira vantagem competitiva resulta da conjugação entre competência técnica e competências humanas. A empatia, a capacidade de escuta, a proximidade e a criação de relações de confiança são qualidades fundamentais na intermediação de crédito, porque estamos a lidar com decisões que têm um impacto muito significativo na vida das pessoas.
Cada cliente tem uma história, uma realidade financeira e objetivos diferentes. Por isso, devemos apresentar soluções verdadeiramente personalizadas, em vez de aplicar respostas padrões.

A digitalização, a inteligência artificial e a automatização estão a transformar rapidamente o setor financeiro. Como imagina a profissão de intermediário de crédito nos próximos cinco anos e que competências serão fundamentais para que os profissionais, especialmente as mulheres, continuem a afirmar-se num mercado cada vez mais tecnológico?
A inteligência artificial, a automatização e a digitalização permitirão processos mais rápidos, maior eficiência e uma melhor análise de informação, beneficiando tanto os profissionais como os clientes.
No entanto, acredito que estas ferramentas não substituirão o papel do intermediário de crédito. Pelo contrário, irão permitir que os profissionais dediquem mais tempo ao acompanhamento e ao aconselhamento personalizado, que continuará a ser um fator diferenciador.
Nos próximos anos, será essencial combinar conhecimento técnico com competências digitais, capacidade de adaptação e aprendizagem contínua. A tecnologia será uma aliada, mas continuará a ser o fator humano que fará a diferença.

Se tivesse a oportunidade de deixar uma mensagem às jovens mulheres que procuram construir uma carreira no setor financeiro ou na intermediação de crédito, que conselho lhes daria para que consigam destacar-se, liderar com confiança e transformar desafios em oportunidades de crescimento e impacto?
Diria, antes de mais, que nunca deixem que alguém defina os limites daquilo que são capazes de alcançar. 
O meu conselho é que invistam continuamente na formação, mantenham a curiosidade de aprender, acompanhem a evolução do mercado e não tenham receio de assumir responsabilidades e novos desafios. A confiança constrói-se com preparação, consistência e experiência.
Também acredito que o sucesso passa por manter uma postura ética, transparente e orientada para as pessoas. Mais do que fechar negócios, devemos procurar criar valor e contribuir positivamente para a vida dos clientes.


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