“Espero que, no futuro, falemos simplesmente de Liderança de impacto, independentemente do género”
Durante demasiado tempo, o setor financeiro foi visto como um território predominantemente masculino. Hoje, essa realidade está a mudar. Cada vez mais mulheres ocupam lugares de decisão, lideram equipas, impulsionam modelos de negócio inovadores e demonstram que a liderança se constrói através da visão, da competência e da capacidade de gerar impacto.
Na intermediação de crédito, esta transformação faz-se sentir não apenas na relação de proximidade com os clientes, mas também na forma como as empresas crescem, inovam e expandem a sua presença no mercado. O franchising assume, neste contexto, um papel determinante, permitindo levar conhecimento, empreendedorismo e novas oportunidades a diferentes regiões do país.
É neste cenário de evolução que conversamos com Catarina Góis, Head of Franchising da Twinkloo, uma profissional que acompanha de perto o crescimento de uma das marcas que mais tem investido na inovação e na expansão da intermediação de crédito em Portugal. Nesta entrevista, abordamos o contributo das mulheres para um setor em permanente transformação, os desafios da liderança feminina, a importância de criar oportunidades para novas gerações de profissionais e a forma como diversidade, talento e visão estratégica podem tornar as organizações mais competitivas, humanas e preparadas para o futuro.
Mais do que uma conversa sobre igualdade, esta é uma reflexão sobre liderança, inovação e a capacidade das mulheres de redefinirem paradigmas num setor onde a confiança continua a ser o ativo mais valioso.
Antes de liderar uma das redes de franchising mais relevantes do setor, houve um momento em que decidiu apostar na intermediação de crédito como projeto de vida. O que a motivou a entrar na intermediação de crédito e qual tem sido a sua visão para criar uma rede que combine crescimento, proximidade e confiança?
O que me atraiu para este setor foi a possibilidade de conciliar uma atividade altamente especializada com um impacto muito concreto na vida das pessoas. A decisão de comprar uma casa, renegociar um crédito ou reorganizar a sua situação financeira representa, para muitas famílias, um dos momentos mais importantes da sua vida. Percebi desde cedo que existia espaço para um acompanhamento mais próximo, transparente e verdadeiramente focado em criar valor para o cliente.
Desde então, tenho procurado contribuir para a construção de uma rede de empreendedores capaz de elevar os padrões da profissão e demonstrar o impacto que um aconselhamento financeiro de qualidade pode ter na vida das famílias portuguesas.
Na Twinkloo acreditamos que crescer não significa apenas aumentar a dimensão da rede. Significa desenvolver pessoas, consolidar uma cultura de excelência e criar condições para que cada Business Partner tenha sucesso no seu mercado. A nossa visão passa por construir uma rede nacional assente na confiança, competência e proximidade, porque acreditamos que o crescimento sustentável é sempre uma consequência da credibilidade que construímos diariamente.
Durante muito tempo, o setor financeiro foi associado a modelos de liderança mais tradicionais. Hoje, sente que as mulheres estão apenas a conquistar espaço ou estão efetivamente a redefinir a forma como se lidera e se faz negócio na intermediação de crédito?
Acredito que estamos a assistir a uma transformação mais profunda do que uma simples conquista de espaço. As mulheres estão a contribuir para a evolução dos modelos de liderança, trazendo abordagens mais colaborativas, mais próximas das equipas e mais orientadas para relações de longo prazo.
Cada vez mais, vemos ser valorizadas competências como a capacidade de escuta, a empatia, a inteligência emocional e a construção de consensos. São características que não pertencem exclusivamente a nenhum género, mas que têm vindo a assumir uma relevância crescente nas organizações modernas.
O mais importante é que hoje existe uma maior diversidade de perspetivas e estilos de liderança. Quando isso acontece, as empresas tornam-se mais inovadoras, mais humanas e mais preparadas para responder aos desafios de um mercado em constante evolução.
A liderança de uma rede de franchising implica inspirar pessoas, criar cultura e garantir resultados, mesmo em mercados muito distintos. Que tipo de liderança procura desenvolver junto dos seus parceiros e de que forma acredita que essa abordagem contribui para o sucesso da rede?
Procuro desenvolver uma liderança baseada na confiança, na responsabilidade, na transparência e no exemplo. Acredito que as pessoas alcançam o seu melhor desempenho quando sentem que fazem parte de um projeto sólido, onde existe uma visão clara, apoio permanente e oportunidades reais de crescimento.
Na Twinkloo investimos fortemente na formação, na partilha de conhecimento e na proximidade com os nossos Business Partners. Mais do que transmitir processos, procuramos desenvolver competências, promover a autonomia e criar uma cultura de aprendizagem contínua.
Uma rede forte constrói-se quando cada Business Partner consegue tomar decisões com responsabilidade, manter elevados padrões de serviço e contribuir para um objetivo comum. É essa consistência sustenta o crescimento da rede.
Muitas famílias chegam aos intermediários de crédito apenas quando enfrentam dificuldades financeiras. Na sua perspetiva, qual é o verdadeiro impacto destes profissionais na estabilidade financeira das famílias e até que ponto podem ser agentes de prevenção e de literacia financeira, em vez de apenas solucionadores de problemas?
O papel do intermediário de crédito vai muito além da negociação de condições junto da banca. Somos cada vez mais consultores que ajudam as famílias a tomar decisões financeiras conscientes, sustentáveis e alinhadas com os seus projetos de vida.
Acredito que os intermediários de crédito podem desempenhar um papel determinante na melhoria da saúde financeira das famílias portuguesas. Quanto maior for a informação disponível e a literacia financeira dos consumidores, maior será a sua capacidade de prevenir situações de sobre-endividamento, planear investimentos e gerir os seus recursos de forma mais eficaz.
Não estamos apenas a resolver problemas quando eles surgem. Estamos a contribuir para que as pessoas tomem melhores decisões hoje e construam um futuro financeiro mais estável amanhã. É nesta dimensão preventiva que a nossa profissão tem um enorme potencial de impacto social.
A confiança continua a ser o principal ativo neste setor, mas vivemos numa era em que a tecnologia e a inteligência artificial estão a transformar profundamente a relação com o cliente. Como encontrar o equilíbrio entre inovação digital e a componente humana que continua a ser essencial na tomada de decisões financeiras?
A tecnologia é um aliado extraordinário. Permite simplificar processos, aumentar a eficiência, reduzir tempos de resposta e proporcionar uma melhor experiência para o cliente.
Contudo, quando falamos de decisões financeiras com impacto direto na vida das pessoas, a componente humana continua a ser insubstituível. Em setores assentes na confiança, a tecnologia deve potenciar a relação humana e nunca a substituir.
A inteligência artificial deve libertar os profissionais para se dedicarem ao que realmente gera valor: compreender as necessidades dos clientes, interpretar contextos, criar relações duradouras e acompanhar decisões e explicar opções com clareza. O futuro pertence às organizações que conseguirem combinar inovação tecnológica com proximidade e confiança.
A expansão de uma rede depende da capacidade de atrair talento e empreendedores. Que características procura nas pessoas que escolhem integrar a Twinkloo e considera que existem competências onde as mulheres revelam uma vantagem competitiva na gestão deste tipo de negócio?
Procuramos pessoas com espírito empreendedor, forte orientação para o cliente, capacidade de construir relações de confiança e uma vontade genuína de aprender e evoluir. Mais do que experiência prévia, valorizamos a atitude, a ética, o compromisso e a ambição de crescer.
Queremos atrair profissionais que se identifiquem com os valores da nossa marca e que pretendam construir um negócio sustentável e de longo prazo, contribuindo simultaneamente para o fortalecimento da rede Twinkloo.
As mulheres têm demonstrado competências particularmente relevantes na comunicação, na organização e na gestão de relações interpessoais, aspetos fundamentais num setor onde a confiança desempenha um papel central. Ainda assim, acredito que o sucesso resulta sempre do talento, da dedicação e dos valores de cada profissional, independentemente do género.
Se tivesse de identificar um dos maiores mitos sobre a intermediação de crédito que ainda persiste junto dos portugueses, qual seria? O que falta fazer para que esta profissão seja reconhecida como um verdadeiro serviço de consultoria financeira e não apenas como um intermediário entre cliente e banco?
O maior mito continua a ser a ideia de que o intermediário de crédito é apenas um elo entre o cliente e o banco. Na realidade, existe um trabalho de análise, preparação, procura, comparação e acompanhamento que exige conhecimento técnico, experiência de mercado e uma compreensão profunda das necessidades de cada cliente.
Hoje, um bom intermediário de crédito deve ser visto como um profissional que acompanha o cliente ao longo das diferentes etapas do processo e não apenas no momento da contratação de um crédito.
O reconhecimento da profissão passa por continuar a investir na qualificação dos profissionais, elevar os padrões de qualidade do setor e reforçar a literacia financeira dos consumidores. Quanto maior for o conhecimento sobre o valor acrescentado desta atividade, mais naturalmente será reconhecida como um verdadeiro serviço de consultoria especializada.
De futuro, como gostaria que fosse descrito o papel das mulheres na liderança da intermediação de crédito e que legado espera deixar, tanto na Twinkloo como no desenvolvimento de uma nova geração de profissionais do setor?
Espero que, no futuro, falemos simplesmente de liderança de impacto, independentemente do género. O verdadeiro critério deve ser sempre a capacidade de desenvolver pessoas, criar valor, inspirar equipas e gerar resultados sustentáveis.
Quanto ao meu legado, gostaria de contribuir para uma Twinkloo cada vez mais reconhecida pela excelência da sua rede, pela qualidade dos seus profissionais e pela confiança que inspira junto dos clientes.
Se conseguir ajudar a formar uma nova geração de empreendedores que exerça esta atividade com competência, ética e sentido de responsabilidade, sentirei que deixei uma contribuição positiva para o setor.
Gostaria que a Twinkloo fosse reconhecida não apenas pelo crescimento da sua rede, mas também pela forma como contribuiu para elevar os padrões da profissão, desenvolver empreendedores e reforçar a confiança dos portugueses na intermediação de crédito.